O Entusiasmo: o de que precisamos e o que nos prejudica, por Marcelo Henrique

Tempo de leitura: 19 minutos

Marcelo Henrique

***

Os espíritas precisam distinguir o (bom) entusiasmo, que é o de que precisamos, daquele que nos prejudica.

***

  1. Notas Introdutórias

Já escrevi, algumas vezes, sob a expressão herculanista que descreve como perniciosa e contraproducente a postura ou o comportamento de muitos espíritas: os adeptos muito entusiasmados.

Eles estão por aí, nos nossos grupos e instituições, em grande número! Acabamos “esbarrando” com eles nas instituições e grupos presenciais, assim como nos “grandes eventos” espíritas, como congressos e seminários, assim como em realizações de menor porte, como as tradicionais palestras nas casas espiritistas.

De outra sorte, também eles existem nos grupos virtuais e nas redes sociais. E, neste caso, pela facilidade de utilização destas ferramentas e pelo alcance (quase infinito) das plataformas, com acesso livre e simultâneo, em alguns casos, eles produzem um “ruído” ainda maior, posto que uma publicação ou um comentário, acaba rendendo “cliques”, “curtidas”, “coraçõezinhos e, é claro, muitos outros comentários. A Internet tem esse “poder” de catapultar (“viralizar”) postagens e comentários. Para o “bem” e, infelizmente, para o “mal”.

Vamos analisar, então, este tipo de entusiasmo e o porquê da necessária cautela em relação a isso.

  1. Um esclarecimento necessário: o sentido positivo do entusiasmo

Antes de tratar do entusiasmo negativo ou deletério, ou seja, aquele que é prejudicial às pessoas, às instituições e às filosofias ou doutrinas, vamos conceituar o entusiasmo.

Em termos ideais, considerando os sentimentos humanos, o entusiasmo simboliza a capacidade do indivíduo em demonstrar alegria, energia positiva e paixão em relação a pessoas, causas, situações, ou atividades. Do grego “enthousiasmos”, deriva da junção entre “en” e “theos”, ou seja, traduz-se como “em Deus”. Significa, assim, filosoficamente, “ter um deus dentro de si”, ou seja, possuindo, o indivíduo, o “sopro divino” dentro de si. Devemos lembrar, todavia, que não é o Deus único, do monoteísmo das religiões tradicionais (como, por exemplo, o Cristianismo), uma vez que os gregos eram politeístas e havia, portanto, inúmeros e distintos deuses). Essa condição entusiástica proporciona ao ser otimismo e vivacidade, resultando no alto engajamento do indivíduo a ponto de contagiar o ambiente.

Historicamente, sobretudo remontando às religiões não-cristãs da Antiguidade, o entusiasmo representava a comoção e a exaltação espiritual daquele que tivesse o dom da profecia ou adivinhação, por inspiração divina. Neste caso, ainda que não tratado como tal, pelas sociedades ancestrais, estamos falando claramente da Mediunidade (comunicabilidade entre os Espíritos, ou, no caso da “crença” de tais povos, entre o Criador e as criaturas.

Por meio do entusiasmo, o ser se sente impulsionado a realizar algo, como que tomado por algum arrebatamento (uma vontade irresistível). Tal vigor leva o indivíduo à criação, à produção, à realização de tarefas. E, alcançado o resultado pretendido, experimenta-se uma sensação de prazer diante da realização de algo que se reputa como extraordinário, na forma de júbilo ou grande contentamento.

Por fim, as pessoas dotadas do (bom) entusiasmo costumam ser aquelas que se expressam com veemência, uma ênfase vigorosa no falar ou no escrever. E, por isso, a partir deste estímulo interior, empregam uma energia e uma determinação que as move na direção de seus objetivos, um combustível para o alcance daquilo que (tanto) se deseja. Neste sentido, é uma qualidade positiva que se liga ao otimismo, à disposição de agir e a capacidade de envolvimento, com intensidade e propósito, nas mais diferentes atividades ou áreas da vida.

Este entusiasmo, numa só expressão, é o positivo: o que cativa e impulsiona o ser às (necessárias) transformações!

Mas é preciso tratar do outro entusiasmo: o negativo, isto é, aquele que, distante de sua acepção e sentido originais, pode gerar muitos problemas para os seus signatários. Vejamos…

  1. Herculano Pires e a origem da expressão “adeptos muito entusiasmados”

É conhecida a alusão de Herculano Pires aos adeptos muito entusiasmados ou demasiado entusiastas. Ela aparece em dois textos contidos em obras distintas da lavra do filósofo e professor. Adiante vamos explorar esse conteúdo.

Antes, é preciso destacar que foi o próprio Kardec quem fez uso dessa denominação, como um alerta ao meio espírita de seu tempo e aos interessados nos estudos e debates espiritistas. A lição, datada de quase cento e sessenta anos, permanece válida e vigente e a advertência, nos dias atuais, soa ainda mais necessária, urgente e pungente.

Foi, então, em “O que é o Espiritismo” (OQEOE) — esta obra solenemente esquecida pela porção majoritária dos espiritistas, ao contrário do que o próprio Professor francês recomendou [1] — que a expressão apareceu pela vez primeira, sendo repetida, depois, em outros contextos e dissertações, na “Revue Spirite”. Todas as fontes da expressão kardeciana são destacadas ao final deste ensaio.

Vamos aos textos kardecianos.

  1. Entendendo Allan Kardec – I

Em OQEOE, assim se expressa o Fundador do Espiritismo, no Capítulo II, Item 92 (Kardec, 2011:117, sublinhamos):

“Entre os adeptos do Espiritismo, como aliás em tudo, encontram-se entusiastas exaltados, que são os piores propagandistas, pois se desconfia da facilidade com que aceitam tudo sem maduro exame.

O espírita culto foge do entusiasmo que cega, e observa tudo fria e calmamente: este é um meio de furtar-se a ser joguete de ilusões e mistificações. Deixando de lado toda a questão de boa-fé, o observador noviço deve, antes de mais nada, levar em conta a responsabilidade do caráter das pessoas às quais se dirige”.

Vamos esmiuçar, um pouco, a fraterna advertência do Professor francês. Inicialmente, vejamos que ele não se dirige a curiosos, ao público em geral, nem aos adeptos de outras filosofias e religiões. Sua orientação foi direcionada aos adeptos do Espiritismo: aquelas pessoas que a ele aderiram ou aderem, em termos de filosofia ou (até) de religião, passando a conhecer e aprofundar-se (com o desejável estudo e debate das ideias à luz da Filosofia Espírita).

Em seguida, o preclaro Mestre lionês destaca haver, no seio das atividades (meio espírita) um conjunto — na nossa observação bastante numeroso — de indivíduos que se maravilham com as ideias espíritas e se tornam, como expressa o Prof. Rivail, “entusiastas exaltados”, constituindo-se nos “piores propagandistas”.

São, portanto, mulheres e homens que passam a “ver Espiritismo em tudo”, e “forçam a barra” para encontrar justificativas, respostas ou significados, que eles “intitulam como sendo espíritas”, fazendo ilações despropositadas, algumas, inclusive, que beiram ao ridículo, ao pieguismo e à falta de senso lógico-racional (estas, recordemos, as duas bases do entendimento espiritista: logicidade e racionalidade). No dizer do Professor francês, tais pessoas “aceitam tudo sem maduro exame”, fazendo o oposto do que se espera de interessados e estudiosos, qual seja a necessidade de examinarem com acuidade, dentro da racionalidade lógica que recomenda a Filosofia Espírita, fatos, situações, textos e indivíduos (deste plano ou do imaterial ou espiritual).

Eis aí o sentido do forte adjetivo “exaltados”. Exaltação é, geralmente, um estado de ansiedade do Espírito, em termos de afetação, descontrole e excitação. Tal estado excitado promove uma significativa alteração nas funções orgânicas e sensoriais; e, principalmente, transmuda os sentidos (a ponto de modificar o senso e a cognição). Há, assim, em relação ao “objeto” da estima exacerbada, um engrandecimento ou elevação sem precedentes e (praticamente) sem limites.

Exemplificativamente, isso ocorre quando qualquer indivíduo se torna fã incondicional de um artista, de um esportista ou de um político. O ser humano se exalta tanto a ponto de louvar e glorificar um personagem ou uma coisa, desfilando uma série de elogios (nem sempre merecidos ou reais), alcançando, por vezes, o mais alto nível dos méritos, qualidades ou virtudes. Um endeusamento, portanto!

Veja-se, ainda, que a adjetivação (“exaltados”) acompanha um substantivo que é “entusiastas”. A palavra tem origem eclesiástica, do latim “enthusiastes”, o que explica, ainda que em parte, a veneração ou idolatria a ele associada. O termo está associado, portanto, ao indivíduo que se dedica vivamente, com ardor, a algo ou alguém, tornando-se, assim, um admirador, um ardente fanático ou apaixonado (por ideias, temas, pessoas ou objetos). Esta grande paixão é um arrebatamento, em que se nutre um grande ou desmedido interesse por alguém ou alguma coisa, fazendo, não raro, que o ser se dedique intensamente a alguém/algo. Aqui é bem comum que o entusiasmo evolua para o fanatismo, já que o indivíduo passa a ser apoiador fervoroso de pessoas, ideologias, movimentos ou partidos.

E, por que, na visão de Kardec, estes são os piores propagadores? Justamente porque lhes falta, primeiro, o exato conhecimento das Leis Espirituais e dos princípios e fundamentos da filosofia espiritista. Passam a acreditar fervorosamente em frágeis ideias, suas e de outrem. E, em, segundo plano, passam a reproduzir, de forma inconsequente e desarrazoada, qualquer “ideia”, “informe” ou “conclusão” ditos por palestrantes, dirigentes, médiuns e “influencers” — esta, uma nova “categoria” de adeptos surgida com o “boom” das redes sociais, com motivações várias, desde honra, prestígio, fama, até a monetização dos cliques… Estas meras opiniões, então, passam a ser tidas como verdades inquestionáveis.

Assim, tanto uns — os que “criam” as chamadas “explicações” ou “notícias” tidas como espíritas —, quanto outros — os que as disseminam, replicam ou repercutem —, vão criando uma para-doutrina, uma espécie de movimento sincrético, místico e fanático, que congrega muitos seguidores e que se baseia nas seguintes (surpreendentes) premissas (tanto pelo que encerram quanto pelo caráter de adesão): “que mal tem?”; “o importante é consolar”; “o Espiritismo abraça e alberga todas as religiões e filosofias”; “temos explicação para tudo”; “os espíritas não deixam nenhuma pergunta sem resposta”. E por aí, vai…

Por isso, a parte final deste texto de Kardec, por nós escolhido consagra três pontos essenciais, que destacamos: 1) o entusiasmo acaba cegando e iludindo aquele que se diz espírita; e o antídoto para isto é a cultura espírita (que advém do estudo), sendo este o sentido do adjetivo “culto” (lembrando da expressão de Kardec, repisada acima, “O espírita culto foge do entusiasmo que cega”; 2) tal entusiasmo desmedido transforma o seguidor espírita, mesmo o de boa-fé, em presa fácil daqueles que são mistificadores e ilusionistas (totalmente afastados do bom senso e da racionalidade contidas no Espiritismo); e, 3) o elemento essencial no “trato espírita”, ou seja, no exame dos fatos à luz do Espiritismo é a responsabilidade, pela qual se deve, sempre, examinar o caráter das pessoas (ou seja, avaliar a intenção pessoal, a prática espiritista e a coerência entre teoria e ação — o que, na maioria das vezes, nem sempre é fácil, tanto pelo “verniz” que as pessoas utilizam, para se apresentarem “mais” ou “melhor” do que realmente são, tanto pela distância entre “nós” e “eles”, o que impede que os conheçamos em maior profundidade e intimidade).

  1. Entendendo Allan Kardec – II

Há um outro trecho na mesma obra, OQEOE, no mesmo Capítulo (II), Item 51, que também merece transcrição (Kardec, 2011:106):

“Seria fazer uma ideia bem falsa dos Espíritos considerá-los como meros auxiliares dos leitores da buena-dicha [2]. Os Espíritos sérios negam-se a se ocupar de coisas fúteis. Os Espíritos levianos e burlões [3] ocupam-se de tudo, a tudo  respondem, e predizem o que quisermos; não se preocupam com a verdade, e entregam-se ao censurável prazer de mistificar as pessoas demasiado crédulas. Por isso é essencial fixar cuidadosamente a natureza das perguntas que possam ser dirigidas aos Espíritos (“O livro dos Médiuns”, n. 286: Perguntas que podem ser dirigidas aos Espíritos)”.

Aqui, à primeira leitura, a interpretação pode parecer estar dirigida, tão-somente, às “revelações” de ordem mediúnica (psicografias, psicofonias). Porque Kardec se refere à dicotomia entre Espíritos sérios e os levianos e burlões, no trecho, remontando à prática do diálogo entre encarnados e desencarnados (por intermédio da mediunidade). Veja-se, neste sentido que há menção expressa das “perguntas a serem dirigidas aos Espíritos”.

Complementarmente, no final do trecho resgatado, Kardec remete ao conteúdo do Item 286, que está no Capítulo XXVI, da Segunda Parte de “O livro dos médiuns”. Neste, salientamos: “as perguntas são de grande utilidade para a nossa instrução, quando as sabemos formular nos limites convenientes” (Kardec, 1998:273).

Mas a advertência, apesar de oportuna para a comunicabilidade com os Espíritos (desencarnados), no sentido da avaliação lógico-racional e segundo os princípios e fundamentos espíritas (aquilo que Kardec conceituou como “Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos – CUEE [3]), deve ser interpretada amplamente.

Porque o Espiritismo “prático” não se restringe ao exercício da mediunidade e aos resultados da prática mediúnica. Nas atividades em geral, as de estudos e cursos, nas palestras e debates, deve-se primar pela observância das premissas estabelecidas por Kardec, para evitar, justamente, os personalismos das meras opiniões e a introdução de conceitos alienígenas, como se espíritas fossem. Lembremos, assim, que o ato mediúnico é um conceito bastante amplo e nós, enquanto encarnados, como Kardec seguidas vezes afirmou, com base na experimentação prática, todos somos médiuns — porque sentimos a influência dos Espíritos (desencarnados) e com eles travamos relações.

Nesse sentido, a advertência kardeciana quanto à mistificação — atitude bastante comum quando se tem o personalismo e, com ele, a vaidade e o orgulho presentes em indivíduos que buscam honra, fama, poder, prestígio ou valores materiais nas atividades associativas humanas —, tem amplo alcance. Infelizmente! Assim, no meio espírita, seja o presencial, seja o virtual, é bastante comum e corriqueiro encontrarmos pessoas “demasiado crédulas”, usando a expressão de Kardec.

Esta credulidade em excesso é responsável pela aceitação de “enxertias” [4], isto é, teorias ou teses alienígenas, pertencentes à religiosidade, ao misticismo, ao sincretismo, assim como relativas a outras filosofias ou religiões que, mesmo possuindo alguma correlação com a mensagem espírita (exemplo, igrejas cristãs, no sentido da base evangélica), as quais possuem dogmas antagônicos aos elementos fundamentais e principiológicos da Doutrina dos Espíritos.

Em um outro artigo de nossa pena (Henrique, 2019, nossos grifos), afirmamos:

Também há os que se entusiasmam e se empolgam com as “novidades”, informações novas ou “revelações” que aparecem por via de determinados médiuns e passam a considerar tais como incorporadas automaticamente ao edifício kardeciano, porque, afinal, este ou aquele médium é “confiável” e os espíritos continuam a nos dar informações de como é o “lado de lá”. Ou, então, são interessadíssimos em teorias que aparecem fora do Espiritismo e não se contentam enquanto não trazem as mesmas para o ambiente espiritista, passando a considerar que, como “o vento sopra onde quer”, devemos nós estar atentos para o que é produzido “fora” do movimento espírita para agregar estes conceitos à doutrina. Não se tratam, todavia, de “revelações” mediúnicas nem de pesquisas sérias, científicas, com embasamento e comprovação, mas meras teorias, egressas da criatividade que é comum aos Espíritos e aos próprios homens, cuja adoção e aceitação pode significar e tem significado, em muitas situações, verdadeiras agressões aos princípios e à metodologia espírita. Os prejuízos são vários e em elevado montante, muitas das vezes. Ressalve-se que não estamos dizendo que a obra espiritista deve ser limitada ao conjunto de informações apresentadas por Kardec, tendo em vista que ele, prudente e oportunamente, prescreveu a necessidade da continuidade dos estudos, das comunicações (e da seleção destas), o que poderia desembocar, inclusive, no estabelecimento de novos princípios ao corpo doutrinário”.

Temos, nós, particularmente, uma expressão peculiar que utilizamos para definir muitos dos adeptos espiritistas: eles entram no Espiritismo, e desejam introduzir nele suas teorias e visões pessoais, mas não deixam o Espiritismo penetrar em seu íntimo, em termos de conhecimentos.

Analisada a teoria espírita originária, da lavra de Kardec, vamos ver o uso que o Filósofo de Avaré, tido como o “metro que melhor mediu Kardec”, tem a apresentar.

  1. A efetiva contribuição de Herculano Pires, a partir das advertências de Allan Kardec

Da vasta obra do Professor paulista, encontramos dois títulos em que ele reforça a advertência de Kardec. Vamos a eles.

Na primeira, encontramos (Pires, 1992:6, grifos nossos):

“Kardec dizia, com muita razão, que os adeptos demasiado entusiastas são mais perigosos para a doutrina do que os próprios adversários. Porque estes, combatendo o que não conhecem, evidenciam a própria fraqueza e contribuem para o esclarecimento do povo, enquanto os adeptos de entusiasmo fácil comprometem a causa. O que estamos vendo hoje, no meio espírita brasileiro, não é mais do que a confirmação dessa assertiva do codificador. Espíritas demasiado entusiastas estão sempre prontos a receber qualquer “nova revelação” que lhes seja oferecida e a divulgá-la sofregamente, como verdades incontestáveis. Que diferença entre o equilíbrio e a ponderação de Kardec e essa afoiteza inútil e prejudicial!”.

Observemos que Herculano não “mede” as palavras. Isto é, não “doura pílulas”, porque conhecia de perto esse tipo de espíritas. Nas décadas em que ele atuou no chamado “meio espírita”, em seu trabalho de jornalista e filósofo, ele observava cuidadosamente os adeptos do Espiritismo, sejam os frequentadores assim como dirigentes, médiuns e expositores. E apontava todos os desvios “doutrinários” ou do próprio meio espírita. Isso lhe valeu, reconhecidamente, o epíteto de “Síndico do Espiritismo” [5].

O Professor paulista menciona, assim, a afoiteza presente naqueles que, diante de qualquer novidade, isto é, teorias ainda sem fundamentação e maturação, apressam-se a dizer que se tratam de complementações à teoria espírita. Lembremos que ele foi quem denunciou a tentativa de adulteração em “O evangelho segundo o Espiritismo”, ocorrida em 1974, quando a Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP) resolveu publicar uma nova versão/tradução, simplificando e atualizando a linguagem doutrinária, para torna-la “mais moderna” e “mais acessível”. Esta questão é tratada em outra obra do Professor, “Na hora do Testemunho”, em detalhes [6].

Outros episódios e exemplos são recorrentes na chamada ambiência espírita brasileira. Mais recentemente, podemos lembrar a esdrúxula tentativa de encampar a teoria das “crianças índigo” [7] [8] aos elementos espiritistas. Esta circunstância demonstra o quanto as “novidades” provocam o interesse de muitos adeptos espíritas, a ponto de tentar introduzir as explicações (muitas, desarrazoadas) ao conteúdo da Filosofia Espírita.

Depois, em outra obra, Herculano volta a tocar nesse ponto (Pires, 1996:72, nosso destaque):

“Não obstante, torna-se cada vez mais necessária, no meio espírita, a vigilância contra as incursões de criaturas pretensiosas, evidentemente desprovidas do senso de suas próprias medidas, sem aptidões nem conhecimentos suficientes  para incursões temerárias no campo científico e cultural em geral em nome do Espiritismo. Essas incursões vaidosas causam mais prejuízos à doutrina e sua pureza do que todas as agressões dos adversários, como dizia Kardec dos adeptos demasiado entusiastas do seu tempo, cujo fanatismo lhe dava muito trabalho”.

O Professor paulista, então, repisa a situação vivenciada por Kardec, a seu tempo (1857-1869), em que o fanatismo dos adeptos da nova doutrina (Filosofia Espírita) fazia com que o Fundador do Espiritismo tivesse que se redobrar em esforços para evitar prejuízos ao chamado “movimento” e à própria Doutrina dos Espíritos. Destaca-se alguns problemas de formação e de caráter de indivíduos que participavam das atividades e das entidades espiritistas (ausência de conhecimentos suficientes, aptidões e senso lógico-racional), incursionando, pois, em áreas científicas e culturais, com a pretensão de importar “novidades” ou teorias alienígenas, gerando prejuízos tanto ao entendimento quanto à divulgação das ideias espíritas.

Escrevendo suas obras principalmente nas décadas de 1960 e 1970, Herculano percebeu o mesmo comportamento das pessoas interessadas na Doutrina dos Espíritos, peculiares à segunda metade do Século XIX. E hoje, passados mais de 50 anos da observação atenta de Pires, os problemas se repetem e o entusiasmo desmedido segue provocando fissuras na organização das atividades e instituições espíritas, assim como na compreensão do cidadão em geral acerca do Espiritismo, muito em face daquilo que é feito e dito nas casas espíritas. E mais particularmente, também, em face do que, vez por outra, é divulgado na imprensa espírita e pelos meios cibernéticos — onde, assustadoramente, nas redes sociais, tem-se “coaches”, “influencers” e “sabichões”, ou seja, pessoas muitas vezes com rasa formação doutrinária, mas que enveredam como “entendidos” e aptos a dar respostas (espirituais-espíritas) para (todos) os questionamentos humanos.

Um complemento importante: os espíritas novidadeiros

A par da menção feita por Herculano aos “entusiastas exaltados” (expressão de Kardec), dois outros conceitos são por ele trabalhado: os afoitos e os novidadeiros. Diz o Professor paulista (Pires, 1996: 26-27, sublinhamos):

“A Doutrina Espírita tem a sua terminologia própria, específica, que não pode ser alterada ou atualizada, como pretendem alguns novidadeiros. Mas isso não impede que um termo ou outro, absorvido naturalmente pelo meio espírita, a ponto de se tornar usual, seja aceito pelos estudiosos. Alguns jovens afoitos e alguns velhotes novidadeiros querem transformar a terminologia espírita num saco de gatos, sem o menor respeito à tradição e à estrutura da doutrina. […] O caso da palavra karma é um dos poucos que foram pacificamente aceitos em todo o mundo, e essa aceitação universal é a única forma de legitimação do novo termo na antiga terminologia. Isso ocorre quando as leis de euforia e de afinidade conceptual não repudiam o termo e não é uma pessoa, nem um grupo de novidadeiros ou uma instituição doutrinária que decide sobre a aceitação”.

Em recente artigo no Portal ECK, Silva (2025, destacamos) reforçou o conceito herculanista, que delimita novidadeiros como “aqueles que aparecem com “novas” ideias ou teorias no meio espírita, atraindo simpatizantes, mas também desencadeando polêmicas e dissensões”. E ele complementa destacando a veia literária de Herculano, que escreveu três obras que teriam sido “escritos exatamente para corrigir o que ele entendia como equívocos doutrinários graves, trazidos ao meio espírita por pessoas e instituições que lançavam confusão entre os espíritas, na medida em que suscitavam discussões acaloradas, volta e meia reascendidas”.

São as obras de J. Herculano Pires: “Na hora do testemunho”, A Pedra e o Joio” e “O Verbo e a Carne” (este último, em parceira com Júlio Abreu Filho), que recomendamos a leitura atenta (vide Referências, ao final).

Na verdade, os termos se completam e se complementam. Porque diante de “novidades” (meramente conceituais ou ideológicas) os afoitos e os novidadeiros desejam, de pronto, contar, para elas, com o albergue do Espiritismo — leia-se, o meio espírita ou o conjunto dos espíritas, independente da quantidade dos que aderem às ideias —; assim, segundo o desejo deles, a Doutrina dos Espíritos incorporaria os mesmos e passaria a endossa-los.

Nesse roteiro, não há, em regra, experimentação científica ou solidez filosófica para a incorporação dos novos elementos desejados. Trata-se, em primeiro plano, como visto acima, com as crianças índigo, de elementos fantasiosos e frágeis construções teóricas; ou, também, práticas, terapias ou experimentos que nada têm a ver com os conceitos e os princípios espíritas — citamos, por exemplo, a aplicação de Reiki, Cromoterapia, Cristais, etc.

Concluindo…

A Doutrina dos Espíritos é um constructo teórico que deriva da ampla experimentação de Allan Kardec e da estruturação filosófica que compreende as suas 32 (trinta e duas) obras [9]. Conforme o próprio Professor francês recomendou, a doutrina haveria de ser progressiva e progressista. Progressiva, compreendendo o criterioso exame e, depois, aceite de novas “revelações”, egressas da comunicabilidade mediúnica, pelo intercâmbio entre “vivos” e “mortos”, abrangendo comunicações espontâneas e aquelas derivadas da evocação, assim como permanecendo atenta aos avanços das Ciências. Progressista, no sentido de influenciar o progresso individual e coletivo, objetivo maior do conhecimento espiritista, dentro das Leis Universais que regem Espíritos e Mundos Habitados.

Em nossa dicção (Henrique, 2022, destaques nossos),

“o Espiritismo em essência — calcado sobretudo nas Leis Morais e em face de sua estrutura doutrinário-filosófica – é PROGRESSISTA, já que tende ao progresso espiritual (individual e coletivo), no sentido dos indivíduos, de per si e coletivamente, agirem para a promoção do progresso. E é, também, progressivo porque obedece à marcha do progresso que vige em todos os mundos habitados”.

Por isso, o Espiritismo — enquanto Doutrina e enquanto Meiodeve estar aberto ao diálogo com outras correntes do pensamento humano, em salutares intercâmbios, proporcionando aprendizados recíprocos e, no caso da ambiência espírita, percebendo que não devemos somente “olhar para nossos umbigos”, na consideração de que, apenas por meio da mediunidade, se tenha acesso ao conhecimento universal. Também os esforços acadêmicos e científicos, em cada uma das áreas de pesquisa humana, produzem resultados e teses que devem ser analisados, e reconhecidos quando compatíveis com a Filosofia Espírita (já que esta compreende os dois elementos presentes no Universo, Espírito e matéria).

E, em paralelo, considerando a multiplicidade dos indivíduos e seus interesses, presentes na “arena” planetária, devem os espíritas sensatos estarem atentos e vigilantes para EVITAR que os entusiastas exaltados, as pessoas demasiado crédulas, os jovens afoitos e os velhotes novidadeiros, nas felizes expressões de Kardec e Herculano, tomem a dianteira e desqualifiquem ou desnaturem a essência do Espiritismo.

Deste modo, os espíritas precisam distinguir o (bom) entusiasmo, que é o de que precisamos, daquele que nos prejudica, conforme explicitado neste ensaio. A tarefa, pois, é de todos! Quem nos acompanha nela?

Notas do Autor:

[1] Em “O livro dos Médiuns” — OLM (1861), no Capítulo III (Método), Item 35, Kardec elenca a ordem de leitura e estudo de suas obras, aconselhando esta sequência: 1º) “O que é o Espiritismo”; 2º) “O livro dos Espíritos”; 3º) “O livro dos Médiuns”; e, 4º) a “Revista Espírita” (“Revue Spirite”), publicada entre janeiro de 1858 e abril de 1869, em doze volumes de fascículos mensais. Esta tem sido, desde então, a diretriz que recomendamos, tanto para os neófitos quanto para aqueles já “versados” em Espiritismo. Já ouvimos de certos espíritas que esta ordem sequencial não deveria ser seguida, porquanto publicada em 1861 e, portanto, até 31 de março de 1869, Kardec teria publicado outras obras. No entanto, o Professor francês, entre 1861 e 1869, resolveu não emitir nenhuma outra recomendação. Ou seja, caso ele entendesse que esta ordem deveria ser alterada — inclusive pela inclusão de outras obras, como “O evangelho segundo o Espiritismo” (1869), “O Céu e o Inferno” (1865) e “A Gênese” (1869), para ficarmos nas “principais”, ele teria reescrito esta orientação, publicando-a posteriormente. Esta afirmação é uma mera conjectura, permanecendo totalmente válida e vigente, portanto, a recomendação contida em OLM.

[2] A expressão “de buena-dicha”, oriunda do castelhano, literalmente “bem dito”, simboliza sina, sorte ou destino, de caráter bom ou mau (mas, geralmente boa sorte), supostamente apresentada por um meio ocultista (como por exemplo a leitura das linhas das mãos ou das cartas). São os prenúncios, as predições, os presságios, as premonições, as adivinhações em geral.

[3] O ECK tem explicitado acerca deste instrumento que foi utilizado constantemente por Kardec para a aferição das comunicações mediúnicas. Abaixo, em “Fontes”, podem ser encontrados oportunos artigos que explicitam o CUEE, seu uso e sua finalidade. Em um dos artigos, afirmamos (Henrique, 2025c): “O CUEE, tal como Kardec o concebeu, permitindo que a nossa inteligência e a nossa ética agreguem à estrutura originária elementos que a tecnologia nos permita, neste Século XXI, segue sendo a referência exclusiva e inafastável” para o exame das comunicações mediúnicas e, também, para a análise de toda e qualquer produção literária sobre o Espiritismo.

[4] Herculano Pires destaca, na obra “Na Hora do Testemunho”, que o próprio movimento espírita francês (e internacional) já se via diante de enxertias. Então, Kardec (em textos mediúnicos) influenciou o velho e já cego León Denis para que este comparecesse ao Congresso Espiritualista Internacional (Paris, 1925), para defender a Doutrina dos Espíritos das tentativas de introdução de conceitos alienígenas, de várias tendências, que “cativavam” inúmeros militantes espiritistas, por eles entusiasmados (Pires, 1978: 13-14).

[5] Afirmamos: “há também os que mantém seus posicionamentos pessoais para construir um personagem muito diferente do homem real e, assim como ocorreu na própria trajetória de Kardec e do movimento espírita francês, têm dado azo a ideias alienígenas, de parcialidade religiosa e dogmática, interpolando-as com princípios e fundamentos espiritistas. A desnaturação, seja de Kardec, seja da própria doutrina, foi, aliás, severamente denunciada por Herculano Pires, em alguns episódios de nossa história espírita. Herculano, por isso, ganhou a alcunha de “Síndico do Espiritismo”, justamente no sentido de sua atuação em proteção à fidelidade doutrinária e ao pensamento originário de Kardec” (Henrique, 2025f, marcamos).

[6] Em um texto biográfico de nossa autoria, intitulado “Do Metro ao Cento: uma Biografia para mais um aniversário de Herculano Pires”, escrito em 2014, quando da comemoração do centenário do Professor Herculano, destacamos essa polêmica. O artigo pode ser acessado conforme a referência, em “Fontes”.

[7] Esta questão já foi abordada em nosso Portal ECK. Uma teoria sem qualquer comprovação empírica e investigação científica de respaldo, surgida em 1970, de autoria da parapsicóloga Nancy Ann Trape, consolidada em seu livro “Entendendo sua vida através da cor”. Para ela, estariam justificadas “as situações de rebeldia (mau comportamento) de crianças como se essas fossem incompreendidas, porquanto dotadas de dons ou habilidades especiais, para implantar uma “nova era” para a Humanidade” (Guimarães; Henrique, 2024).

[8] Em um documento produzido pela Associação Brasileira de Pedagogia Espírita (ABPE), subscrito por vários autores (ver referência abaixo), a conclusão sobre o absurdo dessa teoria é clara: “em primeiro lugar, é a concepção elitista, eugenista, de classificar os seres humanos, que fere o princípio da igualdade entre todos. Filhos geneticamente modificados seriam superiores (fisicamente) aos pais e em toda a literatura índigo, a interferência educacional da família parece um estorvo na vida das realezas índigo! Segundo ponto que nos parece particularmente problemático é justamente a recomendação de uma certa renúncia à função educativa dos pais e responsáveis, já que as crianças índigo já vêm prontas”.

[9] Para conhecer quais são as 32 obras de Allan Kardec, acesse o documento ECK, disponível em: <https://www.comkardec.net.br/as-32-publicacoes-de-allan-kardec-arquivo/>. Acesso em 31. Jan. 2026.

 

Fontes:

Abreu Filho, J.; Pires, J. H. (2003). “O Verbo e a Carne”. 2. Ed. São Paulo: Paideia.

Aldegalega, C. (2021). O CUEE: autoridade e controle? “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 6. Jul. 2021. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Bigheto, A. C.; Incontri, D.; Santos, F. S.; Pires, H.; Figueiredo, P. H.; Foelker, R. (2007). “ABPE”. Crianças Índigo: seita da Nova Era invade o movimento espírita. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 23. Mar. 2018. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Denis, L. (1995). “O Gênio Céltico e o Mundo Invisível”. Rio de Janeiro: CELD.

Franco, L. (2021). A falta do Controle Universal dos Ensinamentos dos Espíritos nas obras mediúnicas brasileiras. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 6. Jul. 2021. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Guimarães, C. F.; Henrique, M. (2024). O Primeiro de Abril que não morre e um Profeta com o olhar voltado para trás. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 3. Abr. 2024. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Henrique, M. (2019). Espiritismo, o Grande Desconhecido (dos espíritas). “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 16. Mar. 2019. Disponível em: <LINK. Acesso em 8. Fev. 2026.

Henrique, M. (2022). O que é ser espírita progressista? “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 19. Out. 2022. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Henrique, M. (2025a). Espíritas: Pensar? Pra quê? “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 7. Nov. 2025. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Henrique, M. (2025b). Médiuns Impressionáveis: quando o fenômeno vira fantasia e a mediunidade passa a ser banalizada pelo médium. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 28. Mai. 2025. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Henrique, M. (2025c). O CUEE na prática contemporânea. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 21. Nov. 2025. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Henrique, M. (2025d). Por um Método Comunicativo Espírita: o Dialógico, o Dialético e o Contraditório – caminhos para o real entendimento. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 14. Dez. 2025. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Henrique, M. (2025e). Do Metro ao Cento: uma Biografia para mais um aniversário de Herculano Pires. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 25. Set. 2025. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Henrique, M. (2025f). Kardec, ainda esse desconhecido! “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 28. Ago. 2025. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Henrique, M.; Santos, N. (2021). E D I T O R I A L: O Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos: Presente, Passado e Futuro. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 6. Jul. 2021. Disponível em: <LINK. Acesso em 8. Fev. 2026.

Kardec, A. (1998). “O livro dos Médiuns”. Trad. J. Herculano Pires. 20. Ed. São Paulo: LAKE.

Kardec, A. (2011). “O que é Espiritismo”. Trad. Wallace Leal V. Rodrigues. Introd. J. Herculano Pires. 28. Ed. São Paulo: LAKE.

Paixão, L. (2024). Sobre o Controle Universal do Ensino dos Espíritos. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 29. Mai. 2024. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Pires, J. H.; Xavier, F. C. (1977). “Na hora do testemunho”. São Paulo: Paideia.

Pires, J. H. (1992). “O Mistério do Bem e do Mal: Lições de Espiritismo – Crônicas”. 2. Ed. São Paulo: Correio Fraterno do ABC.

Pires, J. H.  (1996). “O mistério do ser ante a dor e a morte: uma visão atual da problemática existencial à luz da Filosofia, da Religião e da Ciência”. 3. Ed. São Paulo: Paideia.

Pires, J. H. (2005). “A Pedra e o Joio”. 3. Ed. São Paulo: Paideia.

Silva, C. B. (2025). “Os “Novidadeiros””. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 20. Fev. 2025. Disponível em: <LINK>. Acesso em 8. Fev. 2026.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Written by 

Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

One thought on “O Entusiasmo: o de que precisamos e o que nos prejudica, por Marcelo Henrique

  1. A frase “Sede prudentes como as serpentes e mansos como os pombos” sinaliza o equilíbrio cuidadoso com que o homem deva proceder em todas as circunstâncias da Vida nas relações e nas esferas do conhecimento. As serpentes não são mansas, e os pombos não são prudentes. Erasto é brilhante assertivo ao afirmar ser “preferível rejeitar dez verdades a aceitar uma única mentira”. Porque a Verdade, firmada sobre bases científicas de observação racional de como os fatos acontecem e são cuidadosamente estudados, nada lhe abalará as estruturas, já a mentira – que pode prevalecer por algum tempo – ela não se sustenta para prevalecer por todo o tempo. Nem mesmo a frase “prudência e caldo de galinha não faz mal a ninguém” isolada da mansidão tem foros de razoabilidade, porque causa mal à galinha.