Ada Martins Correia
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A ludopatia (vício em jogos) ativa os mesmos circuitos cerebrais de recompensa que as drogas pesadas, derrubando o argumento simplista de que “joga quem quer”. O Espiritismo revela uma dimensão oculta e Allan Kardec esclarece que as nossas imperfeições abrem portas para a influência de Espíritos imperfeitos.
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A explosão das casas de apostas online (“bets”) no Brasil transformou o jogo em um entretenimento aparentemente inofensivo. Contudo, o slogan “jogue com responsabilidade” é tão contraditório quanto a proposição do uso responsável de substâncias ilícitas. A ludopatia (vício em jogos) ativa os mesmos circuitos cerebrais de recompensa que as drogas pesadas, derrubando o argumento simplista de que “joga quem quer”. O mecanismo é desenhado para capturar a mente e explorar a vulnerabilidade biológica e psicológica do ser humano.
Além dos fatores biológicos há os sociais, em que grandes corporações lucram enquanto a população mais fragilizada arca com o prejuízo financeiro e de saúde pública. O Espiritismo revela uma dimensão oculta nesse processo como podemos observar em “O livro dos Espíritos”, onde Allan Kardec esclarece que as nossas imperfeições abrem portas para a influência de Espíritos imperfeitos.
Na questão 459 desta obra, Kardec formula a célebre pergunta sobre a influência dos Espíritos em nossas vidas, obtendo como resposta que eles influem muito mais do que imaginamos, pois com bastante frequência são eles que nos dirigem. No caso dos vícios, o desejo pelo ganho fácil, a ganância ou a busca por uma fuga emocional geram uma sintonia fluídica com desencarnados que conservam as mesmas paixões.
Os bons Espíritos tentam nos desviar do mal, mas quando o indivíduo cede à fascinação do vício, ele enfraquece a sua própria vontade. Espíritos ignorantes ou malévolos aproveitam-se dessa fragilidade para excitar o desejo do jogo, alimentando-se fluidicamente da atmosfera de ansiedade e adrenalina gerada pelas apostas.
Enquanto uma pequena parcela da sociedade lucra e transfere o dinheiro para paraísos fiscais, o indivíduo preso ao vício enfrenta uma batalha que é, ao mesmo tempo, de saúde pública e de reajuste espiritual. A verdadeira liberdade individual pressupõe o autodomínio, pois, como aponta a Doutrina Espírita, o homem que se deixa dominar pelas paixões abdica do seu livre-arbítrio e se sujeita à escravidão moral e espiritual.
Imagem de Loke por Pixabay




