Editorial: Para onde caminha a humanidade?, por Júlia Schultz e Nelson Santos

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Júlia Schultz e Nelson Santos

Desde os primórdios da civilização, constante é a mutação e o desenvolvimento do ser e da sociedade, ainda que permeados pelas dicotomias inerentes à falibilidade da humanidade, como certezas e incertezas, erros e acertos, questões que nos fazem perguntar: “– Para onde caminha a humanidade?” Platão nos brinda com a reflexão de que é possível a certeza somente sobre coisas estáveis, porque as coisas mutáveis são incertas, apenas prováveis.

Na parte terceira de “O livro dos Espíritos”,  Kardec, ao discorrer, assistido pela Espiritualidade Superior, sobre a Lei do Trabalho, acerca da progressividade moral e intelectual do Espírito realizada na materialidade, concede subsídios para compreender a extensão evolutiva e filosófica existencial, onde, pela vivência e experimentação das ideias, formam-se novos princípios, seguindo em constante evolução.

Mesmo com a certeza de que a coletividade humana está a aprimorar-se, apesar dos percalços existenciais, a contemporaneidade faz-nos remeter à pergunta no introito desse editorial, para a qual temos os artigos que se seguem, a apreciar:

O pensamento filosófico de Jon Aizpúrua, consonante com a Lei do Progresso, aborda em “Espiritismo Progressista”, a opção progressista do Espiritismo, para combinar o progresso moral e o progresso material, com o cultivo de sentimentos e a educação do pensamento para promover uma espiritualidade livre e aberta, em consonância com uma racionalidade criativa e sem preconceitos.

Milton Medran Moreira traz aos Espíritas, em “Lento e doloroso progresso”, a oportunidade de ponderar sobre o atual momento da sociedade, onde os valores sociais e éticos estão tão aviltados, quando deveriam ser salvaguardados, convidando-nos ao exercício racional, a ponderar sobre os escândalos que se avolumam e mutar os erros em uma oportunidade de reformas progressivas, dignas do ser e da sociedade.

No texto “Espiritismo e Desenvolvimento Humano e Social”, a contundente exemplificação de Marcelo Henrique sobre o desenvolvimento social e humano e suas implicações no progresso planetário provoca-nos a ponderar sobre o solapar das ideias novas e transformadoras, como construtoras do progresso em razão das iniquidades que considerávamos adormecidas e que reverberam ainda no seio da sociedade, chamando todos os espíritas acerca da conscientização sobre necessidade de mudanças que partem de cada um de nós.

Matheus Laureano, no artigo “Kardec, raça e ciência”, discorre sobre os equívocos de Kardec no que tange ao grau evolutivo das etnias negra e selvagem, limitando-as a serem uma sub-raça, meramente escravos de uma casta superior, a raça branca – ou seria adâmica como alguns incautos gostam de ressaltar? – um posicionamento racista, colocando-o como homem falível, em evolução, visto que àquela época já havia posições contrárias a essa visão eurocentrista, cabendo, assim, ao pensamento espírita atual, peremptoriamente, afirmar que isto não coaduna com o Espiritismo.

A participação do Espírita na sociedade, como fator de progressividade, é o mote do artigo “Participar para evoluir” da Leopoldina Xavier, ressaltando que,  para além do individualismo,  é no aprimoramento das relações sociais, morais e políticas que realiza-se o progresso coletivo e com ele a implantação de políticas sociais que se obtém a equidade, a liberdade e a fraternidade, como está explícita na Lei do Progresso.

Márcio Sales Saraiva ressalta, no texto “A marcha do progresso e nossa ansiedade”, que, apesar do avanço civilizatório, o progresso ainda se encontra incompleto devido à maturidade dos seres humanos. O pensamento kardeciano aponta que só se atingirá a maturidade progressiva quando a ética e a moral permearem seus ideais, trazendo o equilíbrio entre desenvolvimento intelectual e tecnocientífico a este.

Em sua dissertação, “A sociedade humana é um organismo vivoMaria Cristina Rivé abarca um trecho da magistral Ópera do Malandro, “Geni e o Zepelin”, traçando a dualidade nua e excruciante da sociedade em um sistema de castas vis, condenando os menos favorecidos ao ostracismo e à subserviência. Mas, há o paradoxo crítico oriundo dos seres esclarecidos – sejam eles mais ou menos favorecidos – impulsionados pela evolução do ser no mundo, causando a perplexidade dos senhores da verdade inatacável e inquestionável, haja que a Lei do Progresso é verdade universal.

As chagas da iniquidade, ainda hoje, continuam a sangrar o corpo social, mas no caos social pode haver a ordem;  cabe-nos o escândalo e nele realizarmos a luta por justiça social, que é a aspiração ética e moral de todo Espírita.

Para tal, é preponderante a consolidação da educação como motor da evolução socioeconômica, política e cultural, gradualmente, aprimorando a coletividade e despertando a sociedade para o fim social a que se presta nas interpelações existenciais.

E, vocês, amigos leitores, não concordam que o paradigma do progresso está focado no “nós” e não no “eu”, uma vez que somos pessoas interdependentes? Combinemos, pois, os nossos esforços neste sentido.

Imagem Don Ross unsplash

Leia os textos da edição:

Editorial: Para onde caminha a humanidade?, por Júlia Schultz e Nelson Santos

Espiritismo Progressista, por Jon Aizpúrua

Lento e doloroso progresso, por Milton Medran Moreira

Espiritismo e Desenvolvimento Humano e Social, por Marcelo Henrique

Kardec, raça e ciência, por Matheus Laureano

Participar para evoluir, por Leopoldina Xavier

A marcha do progresso e nossa ansiedade, por Marcio Sales Saraiva

A sociedade humana é um organismo vivo, por Maria Cristina Rivé

 

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