Sandra Fiore
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O amor não é fruto de uma predestinação, mas de uma construção. Dois Espíritos, conscientes de sua individualidade, escolhem caminhar lado a lado, fortalecidos pelo livre-arbítrio, pela afinidade e pelo compromisso recíproco com o próprio progresso.
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A ideia de que cada pessoa possui uma “metade da laranja” ou uma “alma gêmea” tem origem na mitologia grega, mais precisamente no mito narrado por Platão, em “O Banquete”. Segundo essa alegoria, os seres humanos eram originalmente completos e, por determinação de Zeus, foram divididos ao meio, passando a buscar incessantemente sua outra parte. O mito, relacionado a Eros, simboliza o profundo anseio humano pela união, pelo amor e pelo sentimento de completude.
Essa narrativa atravessou os séculos e influenciou o imaginário coletivo, alimentando a crença de que existe uma única pessoa destinada a nos completar. Sob a perspectiva espírita, entretanto, essa concepção não encontra fundamento. Não existem metades perdidas nem almas gêmeas predestinadas. Existem Espíritos afins que, pelas experiências compartilhadas ao longo de sucessivas existências, constroem vínculos de simpatia, respeito, confiança e amor, desejando, por afinidade, permanecerem juntos (itens 298 e 299, de “O livro dos Espíritos”) .
O amor não é fruto de uma predestinação, mas de uma construção. O verdadeiro encontro não acontece porque duas metades se reencontram, e sim porque dois Espíritos, conscientes de sua individualidade, escolhem caminhar lado a lado, fortalecidos pelo livre-arbítrio, pela afinidade e pelo compromisso recíproco com o próprio progresso.
A plenitude não está em encontrar alguém que nos complete, mas em compartilhar a caminhada com quem escolhe evoluir conosco.
Fontes:
Kardec, A. (2004). “O livro dos Espíritos”. Trad. J. Herculano Pires. 64. Ed. São Paulo: LAKE.
Platão. (2021). “O Banquete”. Trad. Irley F. Franco e Jaa Torrano. Rio de Janeiro : Ed. PUC-Rio; São Paulo: Loyola.
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay





Muito bom. Do alto dos meus 70 confirmo que está correcto o texto. Durante esta nossa existência vamos aperfeiçoando na escolha de quem nos acompanha nesta jornada.