A cereja e o bolo, por Rodinei Moura

Tempo de leitura: 3 minutos

Rodinei Moura

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Uma vida digna é um bolo delicioso e muito bem feito. A cereja no bolo é um adendo.

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A pergunta que vamos nos fazer às vezes é: será que realmente isso tudo vale a pena? Tanta luta, tantos obstáculos. Às vezes, vem a vontade de desistir… E é nesse momento que devemos parar, sentar e refletir sobre os caminhos que nos trouxeram até aqui.

Inevitavelmente essa pergunta virá, porque nossa essência é de uma matéria tão fantástica, somos feitos de uma energia tão inexplicavelmente viva, que não é comum que nós consigamos nos contentar com pouco. E toda hora que chegamos no ponto de achar que não fizemos nada, que não construímos nada, a essência grita para nos tirar da apatia: “Sois deuses”. E, como que querendo nos confundir, mas, na verdade, para que não o façamos, diz também: “Aqueles que tiverem ouvidos que ouçam”.

E para que a fumaça da contradição, a névoa escura e densa que não nos permitiria conciliar essas afirmações, seja logo dissipada, basta lembrar que aquele que nos apresentou essas máximas foi um rei descalço e sem coroa. Ele foi grande e nos convidou a sê-lo no sentido divino dessa expressão e, na questão 886, de “O livro dos Espíritos”, vamos encontrar uma importante elucidação a esse respeito: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”.

Daí a importância de buscar entender o que está além das palavras. Uma vida digna é um bolo delicioso e muito bem feito. A cereja no bolo é um adendo. Por tanto, um bolo é aquilo que a maioria busca. Não podemos de forma alguma deixar de pensar em quantas pessoas não tem mesmo migalhas. Quão felizes ficariam em o ter.

Mas não podemos deixar de pensar também que para chegar à cereja, primeiramente, não há outra forma, você faz o bolo. Depois coloca a cereja, se quiser, naturalmente. Você faz com calma a base, estrutura sua vida. Depois vai buscar aquilo que faz seu coração bater mais forte. Que faz o tempo desaparecer para você.

Pode parecer que você estará protelando, mas não. Na verdade, isso já é uma preparação para a coroação de uma vida digna, de um continuo de não desistir, de não aceitar viver sem sonhos. De não aceitar ser uma pessoa triste, sem alma. Embora fique triste às vezes. Quanto a isso não há problema nenhum e muitas vezes é até útil.

Mas você não vai ser feliz apenas quando colocar a cereja no bolo. Pelo menos se você se permitir esses momentos de reflexão, vai ser feliz agora. Vai valorizar quem foi no mercado com você comprar os ingredientes, quem te ajudou a encontrar a receita. Quem te ajudou a fazer bolo. Vai passar brigadeiro na cara dele, vai se divertir. Porque a felicidade não está apenas em colocar a cereja, mas na construção. No que se extrai nesse interim, nas pessoas que conhecemos e nos momentos que criamos, nas lembranças maravilhosas que ficam para sempre como imagens muito coloridas em nossa memória.

Vai lá então, busque seus sonhos! Não deixe ninguém dizer que você não vai conseguir. Vai atrás da sua cereja, não esqueça que podemos sim conquistar muitas coisas. Mas não se esqueça também que já ter o bolo é maravilhoso. Ele é não somente um prêmio de consolação, mas a base sem a qual não poderia colocar a sua cereja. Pelo menos, não a cereja famosa que chamamos de “a cereja do bolo”. Um adendo, uma coroação, totalmente válida e merecida. Mas que não seja jamais o pote de ouro ao final do arco-íris.

Imagem de Rosy / Bad Homburg / Germany por Pixabay

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Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

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