A decadência do Espiritismo, por Carmen Imbassahy

Tempo de leitura: 2 minutos

Carmen Imbassahy

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Uma articulação de jesuítas para transformar a Doutrina Espírita num movimento evangélico-cristão.

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Há praticamente cinquenta anos, minha sogra, Dona Maria, já viúva do Dr. Carlos Imbassahy, contou-me um fato, baseado em certa mensagem mediúnica, que recebera de brilhante orador das plagas cariocas, do início do século XX, e que pode explicar o título deste artigo.

Relato, portanto, o que ela me contou. O amigo do casal, também já desencarnado, fora major do Exército e orador espírita brilhante. Depois de se identificar – e tudo indica que o Dr. Imbassahy seria altamente rigoroso nas confirmações – comentou que, na Espiritualidade havia uma falange de jesuítas cuja finalidade e obra seria a de destruir o Espiritismo; o que já haviam tentado, de várias maneiras, minando o movimento doutrinário, até envolvendo alguns nomes da época em certos escândalos.

Só que a vigilância dos companheiros impedira um melhor resultado desta tarefa. Então, maquiavélicos, idealizaram um novo plano, que seria o de influenciar – até mesmo com alguns se reencarnando com esta finalidade –, o meio espírita para transformá-lo em mais um movimento evangélico-cristão, o que descaracterizaria o Espiritismo em sua finalidade básica, tornando-o mais uma seita bíblica, mas desta feita sem oferecer a salvação por Cristo que as demais pregam.

O Espiritismo, descaracterizado dos seus fundamentos de Kardec, interromperia seu lastro porque perderia seu objetivo que era o que chegar àqueles que, de fato, poderiam difundir a doutrina em todo o seu esplendor.

Seu marido, meu sogro, teve o cuidado de cientificar os amigos. Foi repelido na FEB, porque feria os preceitos roustainguistas do Espiritismo-cristão. A partir de então, passou a sofrer uma terrível campanha onde o acusavam de negar o Cristo.

Presto esse depoimento para o julgamento dos leitores, lembrando que o próprio Kardec, no seu livro “O que é o Espiritismo”, não definiu a doutrina como sendo cristã. Aliás, seria recomendável que todos os espíritas conhecessem a definição de Kardec.

E mais, que soubessem que o próprio Kardec excluiu “O evangelho segundo o Espiritismo” da sequência considerada ideal para o aprofundamento na teoria espírita, estabelecendo a seguinte ordem: 1º) “O que é o Espiritismo”; 2º) “O livro dos Espíritos”; 3º) “O livro dos Médiuns”; e, 4º) A “Revista Espírita”, compreendendo as edições de 1858 a 1869 (até abril, da lavra de Kardec, em vida). Isto consta do item 35, do Capítulo III, de “O livro dos Médiuns”.

Provavelmente, Kardec teria agido desta maneira com o fio, exatamente, de resguardar as características da Filosofia Espírita e que, atualmente, tanto quanto em todo o Século XX, estão sendo esquecidas. Como se trata de um assunto doutrinário, julguei por bem dar ciência aos leitores.

Imagem de Maja Hoberg por Pixabay

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Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

3 thoughts on “A decadência do Espiritismo, por Carmen Imbassahy

  1. Acredito piamente que é verdade e de que até agora tenham conseguido. Neste momento também acredito que estamos ( alguns) de pedra e cal com Kardec…e somos cada vez mais. O facto de o Sr ter sido posto de parte pelos ditos “guardiões ” febianos ,já por si dá um sinal forte de que a mensagem era para ser levada a sério. Muito obrigada pela partilha.

  2. “Por acaso” eu, ontem, fazia um vídeo sobre esse assunto. Em minhas pesquisas, me surpreendi ao ver que a Federação Espírita Brasileira, em seu site, na seção “Origens”, se vangloria de ter uma formação definida por roustainguistas, definindo-se como “Casa de Ismael”. É um completo disparate! Depois, temos que assistir seu presidente vir a público para pedir para que denunciem vídeos que estejam utilizando “indevidamente” a imagem da FEB e outras federativas, porque, segundo ele, a FEB “zela e cuida” do Espiritismo. É de uma hipocrisia sem tamanho!

  3. Certa vez, ouvi de um palestrante: “O espiritismo contém todas as religiões do mundo, sendo essencialmente cristão.” Pensei: “Bela frase…” Me assustei ao perceber que, enquanto eu divagava, o público aplaudia. Foi então que percebi que se tratava de um daqueles “medalhões” ocupando o púlpito em noite festiva da semana espírita, mais uma vez, sem Kardec. Essa é a dura realidade nos templos de autoajuda do espiritismo. Eu diria: É o pleletor que exalta o Cristo (Salvador), enquanto o público emotivo lacrimeja.

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