Poema Enjoadinho, por Vinicius de Moraes

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Vinícius de Moraes (1913-1980), o poetinha, foi poeta, compositor, intérprete e diplomata brasileiro, genuinamente carioca, de berço e de túmulo. Publicou, aos 19 anos, o seu primeiro livro de versos poéticos, “Caminho para a distância”. Um de seus dramas, “Orfeu da Conceição” (1953), adaptado para o cinema por Marcel Camus (1959) ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro. Conhecido nacional e internacionalmente por uma marcante carreira musical, na década de 1960, participou da “Bossa Nova”, sendo autor e coautor de mais de 300 canções, muitas das quais adornaram e ainda embalam nossas vidas.

(ECK)

 

Poema Enjoadinho

Vinicius de Moraes

 

Filhos… Filhos?

Melhor não tê-los!

Mas se não os temos

Como sabê-los?

Se não os temos

Que de consulta

Quanto silêncio

Como os queremos!

Banho de mar

Diz que é um porrete…

Cônjuge voa

Transpõe o espaço

Engole água

Fica salgada

Se iodifica

Depois, que boa

Que morenaço

Que a esposa fica!

Resultado: filho.

E então começa

A aporrinhação:

Cocô está branco

Cocô está preto

Bebe amoníaco

Comeu botão.

Filhos? Filhos

Melhor não tê-los

Noites de insônia

Cãs prematuras

Prantos convulsos

Meu Deus, salvai-o!

Filhos são o demo

Melhor não tê-los…

Mas se não os temos

Como sabê-los?

Como saber

Que macieza

Nos seus cabelos

Que cheiro morno

Na sua carne

Que gosto doce

Na sua boca!

Chupam gilete

Bebem xampu

Ateiam fogo

No quarteirão

Porém, que coisa

Que coisa louca

Que coisa linda

Que os filhos são!

Imagem de Alexa por Pixabay

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Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

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