Por um Método Comunicativo Espírita: o Dialógico, o Dialético e o Contraditório – caminhos para o real entendimento, por Marcelo Henrique

Tempo de leitura: 20 minutos

Marcelo Henrique

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No dialógico e no dialético é primordial que o contraditório seja amistoso, cordial, franco e verdadeiro, e não mera aparência ou formalidade. Em outras palavras, quem se dispõe a ouvir o outro deve estar, de fato, aberto a aprender com ele e a buscar entender situações, fatos, conceitos sob outro(s) ponto(s) de vista, disposto, assim, a rever seus posicionamentos e avançar progressivamente.

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“Se entre os adeptos do Espiritismo há os que divergem de opinião sobre alguns pontos da teoria, todos, entretanto, estão de acordo sobre os pontos fundamentais”, 

Kardec, “Conclusão” (2004:350).

A atualidade planetária resulta, culturalmente, de um longo processo de maturação da própria Humanidade. Neste sentido, a contribuição de muitos pensadores de todos os tempos, nas Ciências e na Filosofia, permite que, tempos após seus ensinos, se revisitem ideias e aperfeiçoem conceitos.

É o caso do Dialógico, do Dialético e do Contraditório. Entender seus contornos e buscar o entendimento para as distintas situações existenciais, considerada a natureza dos distintos agrupamentos associativos humanos ou, ainda, ante a convivência cotidiana entre os indivíduos, nos parece ser um necessário percurso espiritual.

Mas o que significa ser dialógico, dialético e (permitir o) contraditório nas atividades humanas dos espíritas? É isso que veremos neste ensaio…

As origens

O Dialógico

O Dialógico (do grego “dialógikos”) vem de diálogo (do grego “dialogos” e do latim “dialogus”) representando o (possível) entendimento entre dois ou mais interlocutores – por meio da conversação, da comunicação, do colóquio. Ele está assentado no próprio princípio comunicativo, entre dois ou mais seres. Configura e consagra, pois, a arte da dialogia (o saber conversar ou dialogar), que compreende o estudo da comunicação dialógica (enquadrando, nas linguagens [1], o diálogo explícito e o implícito nelas contido). Desde as espécies animais, a linguagem caracteriza a base do entendimento interpessoal e permite aproximações assim como distanciamentos, sinalizando distintos comportamentos e atitudes, nas mais diferentes situações. E, na esteira do progresso, vale ponderar que a civilização humana foi aperfeiçoando a linguagem e, com isso, protagonizou os avanços conquistados até a atualidade.

Baseia-se, o Dialógico, no uso da conversação para construir conhecimento e significado. Por isso, ele valoriza as trocas ativas entre os indivíduos e o conteúdo, opondo-se à comunicação monológica (aquela em que a informação é meramente transmitida). A partir dela, é possível construir coletivamente o conhecimento, já que são consideradas as informações e as experiências de todos os envolvidos. Para Morin (2005), o Dialógico configura o esforço de associação de instâncias – que são antagônicas, mas complementares ao mesmo tempo –, numa evidente e marcante multidimensionalidade (o que ele chama de mundo vivo, o mundo humano). Isto reforça a imperiosa necessidade dos intercâmbios reais entre ideias, pensamentos e culturas, pois há uma complexa trindade no ser humano: o indivíduo, a espécie e a sociedade. Essa trindade é o sujeito, em constante interação, com retroinfluências recíprocas.

Foi um dos maiores jusfilósofos de todos os tempos, Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), quem estudou a fundo o Dialógico, quando abordou acerca do desenvolvimento da consciência humana que, para o filósofo alemão, levava, pelo processo dialético, à autoconsciência [2]. No que foi seguido, depois, por Marx (1818-1883) e Engels (1820-1895), ampliando os vértices de entendimento. A esse respeito, pontou Herculano Pires [3]:

“Hegel definiu a estrutura e a função do diálogo, identificando as suas leis com as do próprio ser: tese, antítese e síntese. Mais tarde, Marx  e Engels  deslocaram o diálogo dessa concepção antológica, para lhe dar um sentido materialista e revolucionário. Coube a Hamelin [4], entretanto, defini-lo em seu aspecto mais fecundo, como um processo de fusão necessária da tese e da antítese, na produção de uma nova idéia ou nova tese”.

O Dialético

Conceituado como a “arte de debater, argumentar e refutar”, o dialético (do latim “dialectical”, deriva, na verdade, do grego “dialektiké”) representa o raciocínio aplicado desenvolvido a partir de (dos) princípios (em que se acredita). Reputa-se a Platão [5] o uso do  elemento dialético, na esteira dos ensinamentos e das práticas de seu mestre, Sócrates, embora, originariamente, o seu ensino remonte a Zenão de Eleia (490-430 a.C.), referenciado por Aristóteles. É este quem menciona ser, a dialética, a lógica do provável [6]. Para o platonismo, aperfeiçoando conceitos, o Dialético consiste no acesso a realidades transcendentais por meio do significado de cada palavra.

Para Abbagnano (2000:269), o entendimento de Platão acerca do Dialético deriva da sua consideração como uma “técnica da investigação conjunta, feita através da colaboração de duas ou mais pessoas, segundo o procedimento socrático de perguntar e responder”. Parte da “doxa”, isto é a opinião ou o senso comum, para chegar à “episteme”, isto é, o conhecimento elevado ou a ciência. Como método investigativo, parte de uma hipotética dualidade presente na realidade existencial humana (opinião x ciência; dia x noite; verdade x falsidade; luz x sombra).

O Dialético avança em relação ao Dialógico na medida em que permite o (salutar) enfrentamento entre uma tese e a sua antítese, frontalmente opostas, para que resolvam – entre si – as suas dicotomias, visando a concretização de algo superior, a que chamamos síntese. Porque, ao pensarmos e exteriorizarmos os nossos pensamentos e aspirações, apresentamos ao mundo as nossas teses e estas, em sendo conhecidas, vão possibilitar e provocar as reações de outrem que, por sua vez, manifestam aspectos opostos ou contrários, em antíteses. É justamente aí que se estabelece o Contraditório (que veremos, adiante).

Hegel propugnava que toda e qualquer afirmação possuía, em si, a sua negação e, no contraponto esta seria uma afirmação que teria aquela outra, inicial, como negação, reciprocamente. Nesta cosmovisão hegeliana, nada seria definitivo e tudo conduziria a um indeterminismo, entre tese e antítese. Caberia ao homem, como ser inteligente, trabalhar com ambas buscando uma síntese, que seria a união (possível) das anteriores. Sendo o pensamento cíclico e progressivo, a síntese nunca teria o condão de definitude (um “determinismo divino”, de um providente Deus), porque, da síntese – que configuraria uma (nova) tese –, o pensar espiritual humano apresentaria, na senda do progresso, uma nova antítese, para resultar em uma novel síntese. E assim sucessivamente…

Recentemente, Paixão (2025), em um artigo em nosso Portal ECK, aborda a proposta hegeliana, destacada neste trecho:

“O desenvolvimento do Espírito em Hegel é dialético: realiza-se por meio de contradições, superações e sínteses. O Espírito se constrói enfrentando resistências, negando e superando estados anteriores de consciência”.

Para Hegel, assim, toda a história compreenderia a realização de um “plano divino”, e o progresso da Humanidade (individual e coletivamente falando) decorre de um processo dialético. Eis aí o cerne da profunda influência que o pensador exerceu em Auguste Comte (1798-1857) e seu positivismo e em Karl Marx (1818-1883) e seu materialismo dialético e histórico.

O Contraditório

Da raiz latina (“contradictorius”, de “contra dicere”), simboliza o que fala contra ou o que contradiz, tendo evoluído, filosoficamente, inclusive pelo sentido jurídico [7] que a ele se atribui, para a ampla e irrestrita garantia de defesa (das ideias) e de argumentação oposta.

O fundamento da contraditoriedade é o princípio da igualdade ou isonomia de oportunidades entre os dialogantes, numa condição de bilateralidade, o que nos remete à perspectiva natural das ideias serem inter-relacionadas e interdependentes, de parte a parte.

Representa, assim, o Contraditório, a ampla possibilidade de se fazer ouvir em um contexto ou relação e, como tal, influir em relação ao(s) seu(s) interlocutor(es). Do Contraditório pode (ou não) derivar o convencimento, dada a lógica dos argumentos, permitindo ao interlocutor um viés diferente de abordagem e entendimento e, não raro, o progresso do conhecimento em qualquer área.

Morin (2011:86), a esse respeito, afirma: “Creio que a propriedade de muitas coisas vivas, organizadas, é que elas vivem de contradições sem poder ultrapassá-las; o viver é, de alguma maneira, superá-las, mas sem que aí haja o além (do outro lado) da contradição”. É por isso que, ao invés de meramente tentarmos ignorar ou até eliminar os contraditórios (as contradições), devemos buscar o aceite e a incorporação deles em nosso pensamento e vida, desembocando em relações mais significativas e ricas com os outros indivíduos e o mundo em si.

Resumindo… O Dialógico busca a construção do(s) significado(s) por intermédio de interações e conversações (educação dialógica). O Dialético repousa na utilização de um método determinado para contrapor argumentos contrários (teses e antíteses), para alcançar a(s) verdade(s) possível(is). No Dialógico e no Dialético é primordial que o Contraditório seja amistoso, cordial, franco e verdadeiro, e não mera aparência ou formalidade. Em outras palavras, quem se dispõe a ouvir o outro deve estar, de fato, aberto a aprender com ele e a buscar entender situações, fatos, conceitos sob outro(s) ponto(s) de vista, disposto, assim, a rever seus posicionamentos e avançar progressivamente.

Os exemplos da dialética presente nas Leis Espirituais: por uma Dialógica Espírita, conceitual e prática

De início devemos estabelecer como premissa que a existência física é uma completa representação, a partir da espacialidade e da temporalidade dos fenômenos que se pretenda analisar, de movimentos dialéticos. Neste contexto, espaço, tempo e movimento são categorias fundamentais e primárias presentes na relação do indivíduo com seus pares, com a natureza, e com o meio (sociedade em que vive). 

Para entender a proposta da Dialógica Espírita, se torna necessário, antes, entender o Processo Dialético envolto no conhecimento espiritual-espírita e o seu exercício, pelos espíritas – e, também, no diálogo com os não-espíritas, nos diversos “campos” onde o indivíduo se acha inserido, considerando as variadas expressões do Contraditório.

Recentemente resgatamos, em nosso Portal, um artigo escrito pelo saudoso e querido amigo Carlos Bernardo Loureiro [8]. Nele, é apresentada uma circunstância prática da dialética espírita, que é a própria decorrência das Leis Divinas em nossas existências físico-materiais-espirituais. Disse ele que a trajetória espiritual:

“tem uma linha progressista ascendente. Isso quer dizer, de conformidade com a dialética espírita, que todas as coisas e seres estão em constante transformação, que não ocupam um determinado e prefixado lugar, que marcham para estados melhores, estados que conquistarão no tempo e no espaço”.

Essa transformação, individual e coletiva, que é explicada pela Lei do Progresso, é demonstrada por Campos Neto (2007:637):

“a Filosofia Espírita é dialética; traduzindo, explica a realidade por meio das suas próprias contradições. O aparecimento das ciências e seu desenvolvimento colocaram o homem diante da realidade objetiva. Essa realidade afugentou os fantasmas da superstição; todavia, ao mesmo tempo, facilitou a compreensão do fenômeno mediúnico. […]

E o Espiritismo-científico apresenta-se como um processo gnosiológico, ou melhor, como uma forma especial do Processo do Conhecimento. Superadas as fases anteriores da evolução, o homem torna-se apto a captar a realidade de maneira mais intensa”.

Alguns autores como Mariño, Mariotti, Porteiro e Pires, em suas obras, apresentaram diversificados exemplos da aplicabilidade da Dialética Espírita, compreendendo tanto o contexto conceitual quanto o prático. Para efeito didático, sistematizamos sete pontos dialéticos marcantes na Filosofia Espírita:

1) A permanente dialética do indivíduo (Espírito), pois a vida e seu movimento não ficam restritas à mera agitação inconsequente do sensível ao inteligível, na expansão da serenidade responsável;

2) Os necessários valores da vida material, com seus objetivos e finalidades (dialética materialista) são confrontados com as vontades de potência e a consciência moral, os valores do Espírito;

3) O finito dos valores existenciais são projetados além da existência, ligando-se ao infinito, o homem mortal ao imortal, dos valores humanos aos valores divinos (espirituais);

4) O Céu e a Terra, como espaços, estão unidos em encadeamento dialético, sendo o primeiro, a vida espiritual imperecível e a segunda, a condição da materialidade físico-biológica;

5) O Universo e seu centro, o Ser, que perpassa seu desenvolvimento progressivo a partir do inconsciente das coisas ao grau de consciência espiritual no humano;

6) As esferas temporais – o ontem, o hoje e o amanhã, os três tempos dialéticos do Espírito – um como negação dialética do outro, reconfigurados a cada passo, porque o amanhã chega, vira hoje e logo será ontem, incessantemente. Por isso, a palingênese encampa a trilogia nascer, morrer e renascer, ou o ir, o vir e o voltar, simbolizando a tese, a antítese e a síntese, progressivamente; e,

7) A comunicabilidade entre os Espíritos produz a relação dos enlaces entre o visível e o invisível, dentro do fenômeno mediúnico, onde os efeitos inteligentes provêm de causas igualmente inteligentes e em que a evocação – ao lado das comunicações espontâneas – representa o chamado espiritual dos “mortos” aos “vivos”.

Por um método comunicativo espírita: dialógico, dialético e de contraditórios

A grandeza de Kardec, na proposição teórico-prática contida na Doutrina dos Espíritos está centrada no chamado método espírita. E este compreende os componentes dialógico, dialético e de contraditórios.

Mas, antes, é preciso tratar da lógica empregada por Kardec, que nos deve servir, permanentemente, de inspiração teórico-prática. A lógica, conforme ele entendia e vivenciava, significava a ciência (conhecimento e práxis) de discutir, nos discursos, na forma de perguntas e respostas, coerentemente e corretamente. Sob inspiração estoica, então, para Kardec seria necessário evoluir do (mero) discurso espontâneo, presente na interrelação humana, para o raciocínio correto: dialética é lógica.

Na dialógica kardeciana, a validade está na comunicação entre os Espíritos (encarnados e desencarnados), configurada na arte do diálogo ou da discussão. Kardec privilegia esse fundamento quando questiona, por meio dos médiuns, as Inteligências Invisíveis, recebendo, delas informações (respostas). Ele segue com sua dialógica, empregando a socrática maiêutica [9], partindo das respostas (espirituais) para novas perguntas. Mas não se reduz a isso, dialogando, também, com outros espíritas e não-espíritas, encarnados, repetindo, com os “vivos”, a sistemática com que lidou com as Inteligências Invisíveis. Por isso, a Doutrina dos Espíritos é dual, no sentido de ser um arcabouço de conhecimentos que associa as manifestações dos Espíritos (desencarnados) e o exercício da lógica racional pelos indivíduos (encarnados).

Na dialética kardeciana, são perfilados, lado a lado, cada argumento ou teoria, inclusive as aparente ou flagrantemente opostas. Observando-se toda a produção literária de Kardec – 32 obras [10], é possível notar que ele alterou convicções pessoais-espirituais sobre determinados temas, inclusive para rever posições, em função do estudo e da experiência, mas, igualmente, de novas informações coletadas da produção mediúnica (psicografias). Isto enaltece o caráter progressivo-progressista do Espiritismo, permitindo a (necessária) oxigenação e continuidade do conhecimento. 

Nesta esteira, Pires (1950) faz uma costura imprescindível entre Agostinho de Hipona, Karl Marx e Allan Kardec, na apresentação daquilo que ele entende ser o próprio processo dialético espiritual-espírita, com a tese, a antítese e a síntese. A tese foi apresentada por Agostinho: a dialética espiritualista estática, “com o absoluto divino e a identidade espiritual do sujeito” (homem – alma, para o Cristianismo). A antítese coube a Marx, em sua dialética materialista “com a negação do absoluto e a identidade do sujeito submetida às leis da história, à identidade de classe, ao determinismo biológico e social, e, apesar disso, capaz de fazer a história”. E a síntese, por fim, embora, como já afiançamos, não definitiva, pois parte como tese para outras antíteses e sínteses, porvindouras, é “a dialética espiritualista (ou idealista), com a dissolução da identidade tanto do Absoluto (que está em processo de devir), quanto do sujeito individual (que se perde no todo)”, como destacam Incontri e Bigheto (2004:5). [11]

Podemos falar, então, num elo existencial dialético, integrando o objetivo e o subjetivo, o material e o espiritual, o homem e a natureza, o individual e o coletivo, o microcosmo e o macrocosmo. E a Filosofia Espírita, por consequência, analisando a dualidade das vidas físico-material e espiritual, nos quadrantes do ser encarnado e desencarnado, aproxima o imanente do transcendente.

Em outra obra, Pires (Kardec, 1998:351) reforça esta interpenetração: o “mundo invisível está além do material não só em sentido espacial, mas também qualitativo, interpenetrando-o” [12].

No(s) contraditório(s), permite-se a apresentação de distintas formas de entendimento, derivadas da opinião de cada interlocutor, a partir da própria e individual esteira de progresso espiritual, nesta e nas vivências anteriores, justamente em decorrência da liberdade de pensamento, convicção e expressão – balizas em que se estabelece o próprio Espiritismo. Originariamente, os contraditórios aparecem em manifestações distintas sobre determinado tema, a partir das perguntas de Kardec (evocação) e, também, em face do conteúdo das mensagens obtidas espontaneamente. Na existência de ideias notoriamente divergentes e contrárias, estabeleceu-se o contraditório para, na aplicação da lógica racional e do método derivado do Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos (CUEE) [13], acatar aquelas que encontravam ressonância em novas manifestações, e sem confrontar a fundamentação principiológica espírita [14] [15].

Relembrando Pires (2025), temos aí “o processo dialético do Espiritismo, que em vez de dar ênfase à contradição em si, à luta dos opostos, prefere dá-la à harmonia, à fusão dos contrários, para uma nova criação”. 

Exemplificativamente, em “O livro dos Espíritos”, Kardec adota, então, por empréstimo da tradição filosófica, o diálogo e o dialético. E, em “O que é o Espiritismo”, a partir destes dois, também se vale do contraditório, quando debate com diferentes interlocutores as questões espirituais (com o crítico, o cético e o padre).

É hora, então, de definir, honrando o título deste ensaio, em que se fundamenta a Dialógica Espírita.

Conclusão – Por uma Dialógica Espírita: por que são essenciais a dialógica, a dialética e o contraditório, para os espíritas da (na) atualidade?

“Assim, mais que nunca e plenamente vivo, submeto-me e me alimento da dialógica permanente entre fé e o ceticismo, misticismo e racionalidade. 

O trabalho das contradições continua” (Morin, 2011:68).

Kardec era, indiscutivelmente, um homem à frente do seu tempo, daí a sua posição de destaque como o inventor/criador da Filosofia Espírita ou Espiritismo (obviamente, com a parceria das informações advindas das Inteligências Invisíveis, coautoras de toda a obra kardeciana, cognominada, assim como “Doutrina dos Espíritos”). 

O conjunto filosófico espírita, então, mesclou distintas correntes ou tendências filosóficas conhecidas no Século XIX: evolucionismo, naturalismo, positivismo, espiritualismo, idealismo, magnetismo, mesmerismo [16], numa proposta epistemológica pluralista e bastante abrangente, para estabelecer o paradigma do Espírito (objeto, pois, de uma nova ciência, a Ciência Espírita, como ele bem destacou).

Estas são, portanto, as bases essenciais sob as quais devem se assentar as atividades de grupos e instituições espíritas, na atualidade. Diríamos, até, um pouco mais: independente da chancela da ambiência coletiva, em termos de atividades espíritas, individualmente, cada espírita consciente deveria adotar esses parâmetros na convivência interpessoal, onde quer que estivesse.

Neste espectro, recentemente escrevemos (Henrique, 2025a):

“Kardec é o antídoto para o veneno da obscuridade, da prepotência, da aparente superioridade moral, da falta de dialógica e dialética, oferecendo o remédio do livre pensamento que nada mais é do que o conceito (espírita) de fé raciocinada, que é aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da Humanidade, como o próprio Kardec (e nenhum outro, no seu tempo ou depois) enunciou.

É esta fé que raciocina, ou essa razão que crê com suficiente prova de verdade, que o Espiritismo proclama!”.

Embriologicamente, a proposta da Filosofia Espírita é de tripla natureza, dialógica, dialética e contraditória (ou de contraditórios) porque somente ela está estruturalmente preparada – desde que se afastando de qualquer posicionamento humano sectário ou dogmático – para, como bem ensinou Kardec, “dialogar com as Ciências”, isto é, com todos os ramos do conhecimento humano. Inclusive os religiosos. A Filosofia Espírita, por isso, está habilitada a realizar uma confluência entre saberes: o(s) subjetivo(s) e o objetivo; o(s) individual(is) e o coletivo; o transcendente e o imanente; os valores humanos e os do Espírito; a existência físico-corporal e a espiritual; a(s) vida(s) e a(s) morte(s); o racional e o espiritual (religioso); o poético e o prosaico.

A Comunicação Espírita é, então, ao mesmo tempo, ontológica e epistemológica, com uma natureza superior, para permitir que, com o paradigma do Espírito, estejam integradas a intuição e a lógica, o sentimento e a razão, a animalidade e a espiritualidade, a moral individual e a ética social. Configura, assim, uma profunda e ampliada releitura da existência do Espírito (e, nesta, a faceta humana da vida planetária).

Por isso, longe da posição sectária e de encastelamento no conhecimento espiritual-espírita como algo “superior” e “acabado”, a atitude espírita neste milênio deve ser a de estabelecer uma permanente interlocução com os saberes humanos, sob quatro parâmetros (que, como sempre destacou Herculano Pires, fundamentam a própria cultura espírita): ética, liberdade, fraternidade e alteridade. Com eles, podemos efetivamente praticar a dialógica espírita e, com a contribuição de distintos interlocutores, espíritas e não-espíritas (estes, principalmente), conferir às práticas dos espíritas o mesmo lastro que se encontra presente e fundante em sua filosofia: a solidariedade e a justiça social. É este o legítimo processo comunicativo espírita!

O projeto cultural de Kardec, assim, consubstanciado na teoria e na prática, em termos de Espiritismo (Doutrina dos Espíritos) pressupõe o diálogo permanente com as filosofias e as ciências, na busca de uma dialógica espírita que se funda no conhecimento das verdades universais – ainda que sujeitas ao progressismo dos indivíduos e das coletividades, isto é, prestigiando o que virá, para além do que já é vigente. E, para tal, enquadra a dialética e o contraditório, a partir dos diálogos estabelecidos, contemplando a alteridade como prática na construção de uma realidade social justa, fraterna e equânime, pois baseada numa conduta ética e solidária. 

O Espiritismo e sua prática filosófica, assim, deve compreender, no cotidiano das relações interexistenciais (entre os encarnados e destes com os desencarnados), um conjunto de ações conscientes, intencionais, voluntárias, dinâmicas e transformadoras, dos indivíduos e das sociedades [17], fundada na ideia da palingenesia (o renascimento e o progresso infinito e contínuo do Espírito). Porque é pela palingênese que se completa e demonstra a dialética espiritual individual e coletiva. É como salienta Pires (1967), escudado na noção da Lei do Progresso explicada pelo Espiritismo, que o progresso social interage dialeticamente com o progresso individual.

A Comunicação Espírita, portanto, requer uma importante ruptura, no presente, em relação à tradição e à cultura convencional dos espíritas em geral. É essencial que ela passe pela dialética, pela dialógica e pelo contraditório, quando, na expressão e na transmissão de qualquer ideia, à luz do Espiritismo, ou realizada pelos que se consideram espíritas, seja dotada de autenticidade e franqueza. Isto é, que na interlocução com qualquer outro indivíduo ou instituição, não se tenha o propósito de encobrir, falsear, ocultar, distorcer ou asfixiar conceitos, sentidos, propósitos ou intenções contidas na ideia, mensagem, comunicação ou ação.

É isto que temos procurado praticar, no dia a dia de nossas andanças, em sede do “Espiritismo COM Kardec (ECK)”, como é retratado por Fernandes Neto (2024):

“Esse diálogo com vários setores do Espiritismo, consigo mesmo e com seus membros, busca um engajamento inédito em um Espiritismo que traz novas visões — com Kardec — e projetos de interesse comum. Um espaço em que a potência das conversações, da dialógica e do contraditório navega em temas da atualidade planetária para uma lente espiritual-espírita — e também para não espíritas. Desafios que surgem e se renovam a cada dia com suas dores e prazeres”.

Eis o porquê de falarmos em um Método Comunicativo Espírita, compreendendo três matizes: o Dialógico, o Dialético e o Contraditório. Eles nos fornecem os necessários e inafastáveis caminhos para o real entendimento entre os Espíritos. Entenda-se Espíritos em generalidade, isto é, tanto em face da comunicabilidade entre encarnados e desencarnados – escopo maior da prática mediúnica sob inspiração kardecista – como, também, na comunicação entre os encarnados, sejam eles espíritas ou não. Assim, seja no primeiro quanto no segundo espectro, listados acima, é preciso, para que o Método Comunicativo Espírita seja realmente praticado, que haja o Dialógico, o Dialético e o Contraditório. Fora deles “não há salvação” [18].

Finalizamos, então, uma vez mais com Kardec (2004:351, sublinhamos):

“Ora, não há um espírita sincero, compenetrado das grandes máximas morais ensinadas pelos Espíritos, que possa querer o mal ou desejar o mal ao próximo, sem distinção de opinião. Se uma dessas escolas for errada, cedo ou tarde será esclarecida, desde que haja boa fé e ausência de prevenções; enquanto esperam, todas têm um laço comum que deve uni-las num mesmo pensamento; todas têm um mesmo objetivo; pouco importa. pois, a rota seguida, conquanto que ela conduza ao alvo. Ninguém deve impor-se pelo constrangimento material ou moral e só estaria em caminho falso aquele que lançasse o seu anátema a outro, porque evidentemente estaria agindo sob a ação de maus Espíritos. A razão deve ser sempre o argumento supremo e a moderação assegurará melhor o triunfo da verdade do que as diatribes envenenadas pela inveja e pelo ciúme. Os bons Espíritos só pregam senão a união e o amor do próximo e jamais um pensamento malfazejo ou contrário à caridade pode surgir de uma fonte pura”.

Sem imposições, nem constrangimentos e em elegia ao Dialógico, ao Dialético e ao Contraditório!

Notas do Autor:

[1] Falamos em linguagens, no plural, para contemplar os tipos de linguagem: verbal (palavras faladas/escritas); não-verbal (sons, símbolos, imagens e gestos) e híbrida ou mista (combinando as duas anteriores), compreendendo, ainda, variações: oral/escrita, formal/informal, corporal (cinestésica), sonora, visual, digital e artística.

[2] Hegel parte da consciência humana, em que o indivíduo experimenta a (sua própria) realidade, a partir da qual compreende o mundo. No diálogo interpessoal, descobre outras compreensões (dos circunstantes) e, a partir deste entendimento comparado, constata as diferenças de pensamento/percepção e desenvolve, assim, a autoconsciência. Na esteira do progresso individual, ao invés de meramente combater outras autoconsciências (de seus interlocutores), avança na sua ciência acerca do mundo que o rodeia e das relações entre os sujeitos e entre esses e os objetos, autopercebendo-se como parte da comunidade (sociedade) e portador de uma cultura, levando à prática da ética. 

[3] Esta afirmação de Herculano compõe a excelente Introdução que o professor e filósofo fez para a sua edição de “O livro dos Espíritos”, comemorativa do primeiro centenário da obra, em 1957. Uma das partes deste texto introdutório é, justamente, “A Dialética Espírita” (Parte IV), reproduzida em: <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

[4] Herculano resgata o filósofo idealista francês Octave Hamelin (1856-1907), que estruturou uma nova concepção da dialética, apresentando-o como a necessária fusão entre tese e antítese – consideradas heterogêneas entre si, produzindo, assim, uma nova ideia ou tese. Para ele, a síntese dos opostos complementares retrataria a evolução dialética da realidade. Isto diferentemente da proposta hegeliana, em que a síntese seria um terceiro elemento, distinto, uma superação destinada a resolver os conflitos.

[5] Na “República”, de Platão, a dialética é o método filosófico por excelência, por visa “determinar, sistematicamente, e em todos os casos, a essência de cada coisa”, o que seja capaz de, cada coisa dizer “o que [ela] é” (item 533b2-3).

[6] A probabilidade indica que a existência de algo é possível, ainda que ninguém, naquele instante, tenha demonstrado a sua existência, sendo premissas ainda não demonstradas. É o que se dá com as ideias novas – mesmo quando partem de lucubrações anteriores – porque, a partir de um dado momento, elas surgem e podem se consolidar, nas ciências e nas filosofias, como teorias – nesse ponto, a premissa se confirmou. 

[7] No ordenamento jurídico brasileiro, assim como no conjunto das nações democráticas da atualidade, o contraditório figura normatizado a partir da prescrição da Constituição Federal de 1988, no art. 5º, LV, que garante o contraditório e a ampla defesa: “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”.

[8] Artigo “Dialética Espírita”, disponível em <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

[9] A maiêutica (do grego “maieutikós”), simbolizando o parto das ideias, foi um método filosófico criado e desenvolvido por Sócrates (469-399 a.C.), consistindo em perguntas reflexivas, para o conhecimento (descoberta) da verdade. O interlocutor ia respondendo, respondendo até se contradizer e, com isso, Sócrates o corrigia, produzindo um novo conhecimento (conceito geral, por indução). 

[10] Para conhecer quais são as 32 obras de Allan Kardec, acesse o documento ECK, disponível em: <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

[11] Porteiro (2000:34), com propriedade, a esse respeito, assinala: “O Espiritismo dialético é a concepção científica, dínamo-genética da evolução, que explica as coisas, seres e fenômenos do Universo, em seu movimento causal e dinâmico e em suas necessárias contradições, sucedendo-se e transformando-se, lenta e gradualmente ou por mutações bruscas, em virtude de uma lei natural, seletiva e finalista, sob a ação psicodinâmica do espírito, em suas diversas formas e manifestações. Não é, como poderia supor o leitor, uma inovação sistemática, fundamental, da filosofia espírita: é a mesma doutrina (pelo que respeita a seus princípios fundamentais), tratada dialeticamente à luz da ciência moderna e em concordância com os fenômenos da natureza e da vida e, muito especialmente, com os da Psicologia e da História”.

[12] Herculano afirma, em uma “Nota do Tradutor”, aposta no “Vocabulário Espírita”, de Kardec (Cap. XXXII, de “O livro dos Médiuns”), acerca do verbete “Espírito”.

[13] Afirmamos, conceitualmente sobre o CUEE, no artigo “O CUEE na prática contemporânea”: é o “critério avaliatório e analítico que Kardec elaborou para aferição das mensagens advindas dos seres desencarnados, pela mediunidade” (Henrique, 2025c).

[14] Sugerimos uma revisão da metodologia kardeciana para a prática mediúnica nos dias atuais, em documento específico (Henrique, 2024), cuja referência completa segue em “Fontes”, abaixo. 

[15] Outros textos que fazem ponderações não só em relação ao contexto originário do CUEE quanto à sua aplicabilidade ou revisão: “CUEE – Autoridade e Controle?”, de Célia Aldegalega; “Sobre o Controle Universal do Ensino dos Espíritos”, de Leonardo Paixão; “A falta do Controle Universal dos Ensinamentos dos Espíritos nas obras mediúnicas brasileiras”, de Luciana Franco; “Controle Universal? Sim, mas…”, de Milton Medran Moreira; “O Controle Universal requer trabalho, disciplina e comprometimento”, de Martha Novis; e, “O Problema da Verdade como Espelho da Maioria”, de Marcio Sales Saraiva. Os links estão descritos, abaixo, em “Fontes”. 

[16] Mesmerismo é uma teoria, mas também uma prática terapêutica que se vale do magnetismo animal para a promoção do bem-estar (humano ou animal) e a cura. Seu nome remonta a Franz Anton Mesmer (1734-1815), médico que, com uma visão racional do Universo e buscava conhecer as causas e as explicações naturais para fenômenos considerados misteriosos pela ciência da época.

[17] Afirma, nesse sentido, Pires (1992:10): “A concepção dialética do Espiritismo não se funda no exame das contradições superficiais do mecanismo social. Aprofunda-se no exame do dinamismo complexo das ações e reações dos indivíduos e dos grupos sociais que estruturam a sociedade. Reduzir toda essa complexidade às manifestações efêmeras dos estágios evolutivos de uma sociedade é negar ao homem a possibilidade de lutar para compreender os problemas com que se defronta no processo existencial”.

[18] Provocativamente nos valemos da máxima contida em “O evangelho segundo o Espiritismo” (Cap. XV, Item 5, grifos do autor), nestes termos: “Não se podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se encontram resumidos nesta máxima: Fora da caridade não há salvação”. Assim, aplicando-se o adágio ao contexto deste texto, diríamos: “Fora do Dialógico, do Dialético e do Contraditório não há efetividade nem eficácia da Comunicação e, por conseguinte, inexiste progresso.

 

Fontes:

Abbagnano, N. (2000). “Dicionário de Filosofia”. São Paulo: Martins Fontes.

Aldegalega, C. (2021). O CUEE – Autoridade e Controle? “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 6. Jun. 2021. Reprodução disponível em <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

Campos Neto, A. A. M. (2007) “A Filosofia Espírita. O Direito Natural. O Direito Justo”. Revista da Faculdade de Direito da USP. V. 102, jan./dez. 2007. São Paulo: USP.

Fernandes Neto, M. (2024) ECK 7 anos: as conquistas do contraditório e da dialógica. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 12. Mai. 2024. Reprodução disponível em <LINK/>. Acesso em 20. Nov. 2025.

Franco, L. (2021). A falta do Controle Universal dos Ensinamentos dos Espíritos nas obras mediúnicas brasileiras. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 6. Jul. 2021. Disponível em <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

Henrique, M. (2024). Uma revisão da metodologia kardequiana para a universalidade do ensino dos Espíritos. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 14. Ago. 2024. Disponível em <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

Henrique, M. (2025a). Obscuros relevadores. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 1. Jun. 2025. Disponível em <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

Henrique, M. (2025b). Espíritas: Pensar? Pra quê? “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 7. Nov. 2025. Disponível em <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

Henrique, M. (2025c). O CUEE na prática contemporânea. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 21. Nov. 2025. Disponível em <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

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Paixão, L. (2025). O Espírito e o Tempo: Reflexões Filosófico-Espíritas a partir de Heidegger, Hegel e Herculano Pires. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 7. Nov. 2025. Disponível em <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

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Pires, J. H. (1967). “O Reino”. São Paulo, Edicel.

Pires, J. H. (1985). “Parapsicologia hoje e amanhã”. 8. Ed. São Paulo: Edicel.

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Pires, J. H. (2025). A dialética espírita. Introdução ao “O livro dos Espíritos”, edição comemorativa do centenário da obra. [1957]. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 31. Mar. 2025. Reprodução disponível em <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

Porteiro, M. S. (2000). “Espiritismo Dialético”. Trad. José Rodrigues. Santos: Pense. (Edição digitalizada).

Saraiva, M. S. (2021). O Problema da Verdade como Espelho da Maioria. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 6. Jul. 2021. Disponível em <LINK>. Acesso em 20. Nov. 2025.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay


Dezembro de 2025

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Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

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One thought on “Por um Método Comunicativo Espírita: o Dialógico, o Dialético e o Contraditório – caminhos para o real entendimento, por Marcelo Henrique

  1. Parabéns pelo rigor intelectual e pela sensibilidade ética que permeia todo o ensaio. É daqueles textos que a gente lê e sente vontade de compartilhar, porque provoca reflexão e inspira mudança.