Nascer, viver e conviver, por Débora Nogueira

Tempo de leitura: 3 minutos

Débora Nogueira

Ao nascermos, nos deparamos com uma família, desconhecida, a princípio; aquele ventre que nos carregou nos ajuda nessa descoberta e, normalmente, nos traz aquele conforto necessário a cada estranhamento.

Quem são esses? De onde surgiram? Por que a maioria fala de forma estranha? A família em que (re)nascemos é uma célula da sociedade; nela vamos aprender a viver… A família, a escola, o trabalho, as outras famílias, os filhos, a mulher, o homem, todos buscando formar os elos afetivos e, para tal, a convivência é fator primordial.

Em “O livro dos Espíritos”, no Livro Terceiro, Capítulo VII, temos a lei de sociedade, que nos fala da necessidade de viver em sociedade. Assim, não devemos nos isolar (pois, se assim fosse, como exercitaríamos a caridade?). Nele, se aborda os laços de família, um grande desafio para todos nós. Quem não tem, em sua família, um parente que é o tipo “espalha a roda”, pois quando ele chega todos se afastam? Talvez esse parente possa ser eu, mesmo! Ou você!

Na infância, os seres que retornam se veem diante de uma realidade: temos que esperar, ouvir (mas, não o tempo todo) e obedecer. Para uma indefesa criança tudo pode ser perigoso. Contudo, aos poucos, o ser vai adquirindo autonomia e começa a perguntar todos os porquês possíveis e imaginários da vida. Então, a vontade de transgredir começa a aparecer.

Descobrimos, assim, que aquele ventre que era tão aconchegante é, também, um grande enigma. Descobrimos a impaciência e a rebeldia, impaciência: como é difícil conviver com os outros… Complicamos tanto, exigimos tanto, esperamos tanto, que as expectativas se tornam sufocantes.

Olhando para o nosso planeta e os indivíduos que nele habitam, continuamos com as mesmas dificuldades de relacionamento – mesmo com tantas facilidades materiais no mundo de hoje. Neste contexto, muitos se comportam como donos da verdade, sobretudo nas redes sociais. Mas, que verdade? O que é a verdade? Grande parte das pessoas, atualmente, se afigura como juízes de togas longas, retumbantes em impropérios ditos em postagens nas plataformas. Parecem, quase todos, viver em uma grande e intransponível bolha, forjada no egoísmo.

Isto tudo representa um cenário em que somos tal qual crianças, a andar de bicicleta e em círculos, na brigamos para ver quem é o primeiro. E por que num círculo? Porque sabemos que o que embeleza o discurso, palavras, frases, relacionadas à alteridade, à aceitação, à caridade, à empatia, não correspondem ao nosso fazer, como mencionou Paulo Freire. Muito antes, Jesus, ao nos falar de igualdade e de amor, veio quebrar os paradigmas vigentes, apontando caminhos que, ainda hoje, não conseguimos trilhar.

Olhemos ao nosso derredor: quem, há algum tempo, poderia prever que teríamos uma guerra, em 2022? E a pandemia? O que dizer do necessário isolamento social, em face das doenças respiratórias? E, ainda, uma vasta estrada de ignorância, em que muitos seguem acreditando apenas nas próprias ideias e atavismos, medindo o mundo somente pela própria régua.

Voltando à ambiência das redes sociais, é muito cômodo dizer o que se quer, sem responsabilidades, pois ninguém vê o rosto de ninguém; não se ouve a inflexão da voz nem se está diante do sentimento presente em um diálogo face a face. Cada um, portanto, interpreta como quer o que se escreve. E muitas das incompreensões e embates daí derivam.

A lei de sociedade nos informa que somos seres gregários, pois precisamos uns dos outros. Este “precisar” inclui o aprender a compartilhar (o tempo, os ambientes, as relações) e nos auxiliarmos uns aos outros. Mas, parece que continuamos a marcar passo, porque, diante de tanta informação e tecnologia, existe tão pouca tolerância, que dirá compaixão e tão pouco conhecimento,

Na minha fantasia, eu queria ter o poder de usar um “pó de pirlimpimpim”, contendo amor e tolerância, e que ele pudesse se espalhar por todo planeta, na hora em que “Deus colocasse” todos os humanos para dormir… Então, ao acordarmos, podermos ver tudo e todos com um olhar diferente, pois o amor brotou no coração de todos. Amor com todas as letras e significados que uma palavra tão pequena – e, ao mesmo tempo, complexa pode ter.

Com este “pó de pirlimpimpim do amor”, ouviríamos o silêncio da paz e a música das risadas ecoando num planeta de igualdade e equidade… Sonhar é bom, não é? Pois eu continuo a sonhar e, neste sonho, ter em meu coração o tesouro mais valioso, como assim nos disse o Mestre nazareno.

Kardec cunhou a expressão de que todos nos valemos, nas lides espíritas: “Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir continuamente, tal é a lei”. Singela e humildemente, eu acrescentaria: nascer, viver e conviver! Pois conviver é que é a grande lição e o necessário desafio! Pois, de que vale tudo isso o que vivemos e com o que nos deparamos, se não for para progredir? Fadados, estamos, ao progresso, assim disseram os Espíritos Superiores ao Professor francês. E assim, seguimos, aprendendo com as Leis Morais.

Este “O livro dos Espíritos” é, mesmo, uma “caixinha de surpresas”…

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