Maternidade, por Marcelo Henrique

Tempo de leitura: 3 minutos

Marcelo Henrique

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Para uma mãe, o filho sempre será seu filho, independentemente do que fizer ou disser. Se, porventura, ele desaparecer nas estradas, sumir de vista, não dando mais notícias, lá estará ela, ao pé do telefone, à espera do carteiro, diante do computador, ansiosa por, um dia, falar com o filho, ou, pelo menos, saber algo a seu respeito.

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A notícia de uma gravidez quase sempre é permeada por sentimentos de entusiasmo, expectativa e alegria. Instintivamente, o ser humano resgata suas experiências anteriores, da fase animal, onde, principalmente nas espécies mais adiantadas, se percebe um “instinto animal de maternidade”, que os leva a “amar” e proteger a prole. Pais e Mães, assim, no sublime ato de procriar, de gerar, de multiplicar seus genes e caracteres, realizam o mister de se tornarem co-criadores, no Universo.

A decisão de conceber uma criança nem sempre decorre de um planejamento, de uma programação consciente e detalhada, sabemos. Embora a criatura raciocine no sentido de poder ou não ter filhos (no sentido econômico, mormente), há inúmeras criaturas que são surpreendidas pelo resultado da ultra-sonografia: sim, há um bebê!

Destas, indubitavelmente, há um sem-número de seres que não possuem as mínimas condições ideais para a mantença de um rebento. Mas, conhecendo a situação de que em seu ventre já habita o pequenino germe da vida, muitos passam a reunir esforços para dar-lhe as mínimas e dignas condições de subsistência.

Os setores públicos de saúde, neste aspecto, fornecem informações acerca de cuidados, hábitos, higiene e alimentação, fundamentais para a conservação daquele pequeno ser, já gerado.

Todavia, a parte mais importante neste processo cabe à mãe. Ela sente o pulsar de uma nova vida dentro de si e, conscientemente ou não, trava diálogos e intercâmbio com o nascituro, sente-lhe as aspirações, conhece-lhe os desejos, atende-lhe em suas necessidades. Basta acompanhar, de perto, uma gravidez para saber e constatar isto…

Os nove meses de uma gestação (nem sempre nove, é claro), de modo geral são constituídos de um intercâmbio psíquico muito forte entre a genitora e o nascituro. Ainda que Kardec não tenha abordado especificamente essa circunstância, há alguns autores espirituais que mencionam diálogos prévios à gravidez, principalmente entre o Espírito dos futuros filho e mãe, buscando um ajuste para a oportunização do reencarne. Isto, inclusive, levando-se em conta as possíveis animosidades que existam entre um e outra, egressas de vivências passadas, que terão, nesta singular oportunidade, a chance para a reconciliação, graças ao esquecimento do passado. No entanto, grande parte daqueles que agora são os filhos possuem fortes vínculos de afeição e afinidade com aquele Espírito que será, agora, sua mãe. E isso será, precisamente, o elemento mais efetivo para a readaptação do ser que retorna para mais uma experiência “na carne”.

O certo é que um número significativo de mães é o exemplo nítido do verdadeiro e sublime amor. Tanto que diversos poetas e músicos a reverenciam, sempre, como sendo elas “a representação do verdadeiro, do puro amor”.

Para uma mãe, o filho sempre será seu filho, independentemente do que fizer ou disser. Se, porventura, palmilhar o caminho da criminalidade e, julgado, for confinado a uma prisão, lá estará ela, preocupando-se com ele, visitando-o e bem-querendo-o, sempre. Se, movido por sentimentos e raciocínios pessoais, desaparecer nas estradas, sumir de vista, não dando mais notícias, lá estará ela, ao pé do telefone, à espera do carteiro, diante do computador, ansiosa por, um dia, falar com o filho, ou, pelo menos, saber algo a seu respeito.

Mães perdoam, até, a chamada ingratidão dos filhos, aqueles que não sabem reconhecer a singularidade da atenção a eles dirigida, em todos os principais momentos da vida. Porque, ante o berço ou a cama, quando ardia em febre, no dia das provas ou entrevistas de emprego, na formatura, ao sair para seus encontros amorosos, sempre estava ela a proteger-lhe, desejar-lhe êxito, orando e bendizendo seus passos.

Muitas mães, hoje, suportam, até, a internação em asilos ou casas de idosos, aceitando resignadamente que os filhos “não tenham tempo” para cuidar delas, em face das doenças ou imobilidades da velhice. E esperam o dia da visita, mesmo que este não chegue nunca…

A maternidade é, assim, um convite ao exercício do bem. Tomara nós, que lemos estas linhas, conservemos este Espírito, tanto ao tratarmos nossas mães, nos diversos momentos da penosa existência, como, no caso das mulheres, quando chegar a hora de gerar e parir mais um rebento: a prova material da misericórdia divina, que concede a mais um Espírito a sublime oportunidade de regresso à vida corporal, para novos ajustes e experiências.

Sem a mãe, isto nunca seria possível!

Imagem de วัฒนา ลอยมา por Pixabay

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Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

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