Dialética Espírita, por Carlos Bernardo Loureiro (in memoriam)

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Carlos Bernardo Loureiro (in memoriam)

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A dialética espírita consagra que, pelo progresso, cada ato repercuta especialmente no foro íntimo de cada criatura, na consciência do indivíduo, onde se inscreve, indelevelmente, a Lei Divina.

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Tudo quanto existe, do átomo ao homem, segue uma trajetória que se perde no infinito, observada tanto no passado como no porvir. Essa trajetória, porém, tem uma linha progressista ascendente. Isso quer dizer, de conformidade com a dialética espírita, que todas as coisas e seres estão em constante transformação, que não ocupam um determinado e prefixado lugar, que marcham para estados melhores, estados que conquistarão no tempo e no espaço.

Basta observar-se as pronunciadas diferenças que a História registra, no que se refere às plantas, aos animais e aos homens, para que se deduza rapidamente que as formas se vão sutilizando, perdendo a casca e a rudeza primitivas, idealizando-se e seguindo sempre para um fim superior que as orienta nesse processo formidável e eterno!

Os Espíritos, encarnados ou não, marcham, também, para a conquista de planos cada vez melhores e, pela Lei Suprema, lutam constantemente para desenvolverem os germes divinos que aninham em sua essência imortal. Conclui-se, daí, que a lei de causa e efeito, aplicada ao progresso, não é fatalista e nada tem que ver com o  “olho por olho, dente por dente”, predicado no passado bíblico.

É claro, é evidente que os seres trazem sua herança espiritual e que pesa sobre eles um determinismo. Mas, também é certo que os seres voltam para tomar formas, a fim de poderem conquistar novos planos, num batalhar tremendo contra a ignorância, contra a dor e contra todas as negações da miséria física e moral.

Se as cadeias a que estão atadas as ações e reações se compusessem de argolas exatamente iguais, constituídas de material grosseiro e rude, o processo de evolução careceria de energia estimuladora e progressista. Se tivéssemos que ser vítimas pelas vítimas que fizemos em nosso passado palingenésico, a Lei de Causalidade teria que criar novos verdugos para o nosso castigo. Esses verdugos, por sua vez, em futuro não muito remoto, teriam que ser vítimas de outros verdugos… e assim por todo o sempre.

Tal encadeamento, porém, não condiz com a lógica e, o que é mais grave, não se ajusta à lei do progresso. Não é absolutamente necessário que cada ato do Espírito origine outro ato análogo, nem que cada situação social do passado exija condição oposta. É ridículo, absurdo e sem o mais elementar raciocínio, pensar-se que os pobres de hoje são os ricos de ontem, que o ignorante é o sábio de outrora, que o feio antes foi belo e que o inválido fez abusivo emprego de sua força física.

O progresso, ao contrário, faz com que cada ato repercuta especialmente no foro íntimo de cada criatura, na consciência do indivíduo, onde se inscreve, indelevelmente, a Lei Divina. Quando o homem começa a compreender através da dor, filha direta da ignorância, abre-se a seus passos, dialeticamente, o caminho da Sabedoria e se desenvolve, aos poucos, a sua vontade. E, enquanto começa o despertar de sua consciência, compreende que aquilo que realizou e fez no passado, que tudo quanto serviu, para prejudicar seus semelhantes, pode-se transformar pelo amor, pelo sacrifício e pela virtude; principia, assim, o seu peregrinar pelas estradas da libertação.

Constituir-se-á, então, o homem em paladino das causas nobres e justas; defende a cultura, estimula a vontade; trabalha e luta pelo melhoramento das condições de vida de seu próximo; repele os crimes; combate todas as formas de escravidão e edifica, dentro de si mesmo, uma personalidade criadora, ao lado de uma moral dinâmica. Seus pensamentos, destarte, despertaram para novas verdades…

Nota do ECK: Artigo originariamente publicado no site do Teatro Espírita Leopoldo Machado.

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Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

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One thought on “Dialética Espírita, por Carlos Bernardo Loureiro (in memoriam)

  1. O espirita procura todos os dias melhorar-se e fazer ao próximo tudo o que gosta que lhe façam a si, essa é uma permissa que nos deve nortear a todos. Os erros do passado devem servir-nos para aprender a não os repetir, em circunstâncias idênticas. Quanto mais adentrarmos na idade mais responsabilidade temos com os nossos actos ,libertando-nos do que nos foi incutido tais como “pecados” tem que ser retirado do nosso pensamento. As Leis Universais fazem parte da vida material e da espiritual e servem para que o nosso progresso seja o objectivo a atingir, porque estamos nessa trajectória desde que éramos átomo até ao presente estado de Homo Sapiens. Cabe a cada um de nós seguir o caminho que pode ser mais rápido ou mais lento, conforme as escolhas que fizermos.