Ariane Netto Daud
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É incumbência dos estudantes espíritas sensatos separar o bom do mau. Para isso, todas as comunicações devem ser submetidas ao controle da razão e da mais rigorosa lógica.
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A análise criteriosa das comunicações mediúnicas é uma condição essencial, sendo tão crucial quanto recebê-las e aplicá-las. O Espiritismo é uma ciência de observação. Isto demanda estudo longo, assíduo e perseverante, além de minuciosas observações.
Para que as comunicações sejam validadas, o estudo comparativo é indispensável, pois a Doutrina Espírita é edificada sobre o ensino coletivo e concordante dos Espíritos. Desse modo, é incumbência dos estudantes sensatos separar o bom do mau e, para isso, todas as comunicações devem ser submetidas ao controle da razão e da mais rigorosa lógica. A utilidade desse discernimento contínuo reside nas consequências morais e, também, na oportunidade de conhecer o mundo espiritual que nos cerca.
Em uma de nossas conversas com os Espíritos, a comunicação de um dos Espíritos Amigos que nos auxiliam chamou a atenção. A mensagem emanada deste Espírito Amigo revela múltiplos pontos que se alinham e recebem plena elucidação nos alicerces da obra de Allan Kardec.
A seguinte comunicação aconteceu em setembro de 2025:
“Pergunta: Sobre esses esforços, às vezes parece que não encontram muitas pessoas dispostas por aí. Gostaria de uma avaliação nesse sentido de como estão.”
“Resposta: A calma e a resistência. Para Kardec também não foi fácil. Com todas as distorções que agora se encontram nesse mundo. E ainda com o materialismo ainda mais pungente do que era na época de Kardec.
As pessoas, aos poucos, com a nossa intervenção, e podem ter certeza que estamos trabalhando com relação a isso, sentirão a nossa presença. Nem que para isso tenhamos que começar da mesma forma que foi no século de Kardec. Batendo, chamando.
Temos essa necessidade urgente de recomeço. E vocês serão procurados por muitos que sofrem por não entenderem aquilo que nós queremos transmitir.
Preparem-se para essa leva de pessoas que receberão nossos estímulos de todas as formas. Porque vocês serão aqueles que abrirão as portas ao recomeço. Não se assustem com a responsabilidade. Apenas façam aquilo que vocês sabem que devem fazer. Vejam que há muitas pessoas concordando com aquilo que vocês escrevem, com aquilo que vocês falam. Esses abrirão outras portas e receberão a mesma responsabilidade.
Não há um só ser, uma só consciência, que não será questionada. Eu não queria usar a palavra perturbada, mas ela significa algo que vocês entenderão. Não existe uma só consciência que não será perturbada pelo mundo que aqui se encontra, esse mundo espiritual.
Nós estamos coordenando vários grupos. Existem outros acima de mim, moralmente superiores, que nos enviam essas mensagens e nos fazem agir para que o mundo desperte — pelo menos uma grande quantidade de pessoas despertou para essa verdade absoluta que é o mundo espiritual. E saiam do misticismo, das incoerências, das falsas verdades que se arraigaram nessa literatura vasta que vocês têm nas estantes, nas livrarias, que chamam por títulos mirabolantes, que pensam que falam do mundo espiritual. Não percam o caminho que se abriu diante de vocês.
Desejo que todos sejam a luz de Deus. Aquilo que digo desde sempre, comunico com vocês. Propaguem essa luz. Sejam, sim, a luz de Deus. Porque aqui todos nós somos a luz de Deus.
— Espírito Amigo.”
Dessa forma, é crucial prosseguir com a análise detalhada deste ensinamento específico do Espírito Amigo, confrontando-o com os princípios fundamentais contidos na Doutrina Espírita, em particular nas obras da Codificação. É o que faremos:
- “As pessoas, aos poucos, com a nossa intervenção, e podem ter certeza que estamos trabalhando com relação a isso, sentirão a nossa presença.”
Esta proposição encontra-se em perfeita concordância com o ensino dos Espíritos Superiores, dado que a Doutrina Espírita demonstra que os Espíritos, que são os seres inteligentes da criação e nos rodeiam incessantemente, constituindo toda uma população invisível cuja vida é uma ocupação contínua. Longe de estarem inativos, esses seres desencarnados exercem ação incessante sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico, dirigindo nossos pensamentos e ações e influenciando os encarnados. O Espiritismo é a ciência que veio revelar esse mundo invisível, que se apresenta como uma potência da Natureza, e as suas relações constantes com o mundo corpóreo. Os Espíritos Superiores ou os Espíritos Puros, atuam como mensageiros e ministros de Deus, executando Suas ordens para a manutenção da harmonia universal. Dessa forma, eles não gozam de uma ociosidade monótona, mas auxiliam no aperfeiçoamento dos Espíritos inferiores e dirigem os trabalhos para o progresso da Humanidade, o que torna a ideia de que atuam ativamente para fazer sua presença sentida um pilar essencial da doutrina.
- “Nem que para isso tenhamos que começar da mesma forma que foi no século de Kardec: batendo, chamando. Temos essa necessidade urgente de recomeço.”
Aqui a comunicação aponta para as manifestações físicas ostensivas, como os ruídos e os fenômenos de mesas girantes, que serviram como o ponto de partida da Doutrina Espírita. Kardec reconheceu a utilidade providencial desses fenômenos, que serviram como o “vestíbulo da ciência”, pois eram necessários para chamar a atenção dos indiferentes e provar a ação de uma vontade livre e inteligente fora da matéria. Contudo, logo após essa fase preliminar, os Espíritos com elevação espiritual direcionaram o foco para a filosofia e a moral, uma vez que a força do Espiritismo reside na razão e no bom senso, e não apenas nos fenômenos materiais. A Doutrina distingue, assim, que os Espíritos superiores não se deleitam com tais coisas e que as manifestações físicas mais simples são, com frequência, obra de Espíritos mais simples e ignorantes. Assim, a sugestão de “recomeço” através dos fenômenos físicos pode ser entendida como uma estratégia para despertar a curiosidade dos incrédulos, sendo este apenas o primeiro passo para conduzi-los ao estudo sério e completo da doutrina, que é o único meio de alcançar a convicção sólida
- “E vocês serão procurados por muitos que sofrem por não entenderem aquilo que nós queremos transmitir. Preparem-se para essa leva de pessoas que receberão nossos estímulos de todas as formas. Porque vocês serão aqueles que abrirão as portas ao recomeço.”
Esta proposição encontra-se em perfeita concordância com o ensino dos Espíritos Superiores, os quais guiam o Espiritismo. A doutrina visa consolar os que sofrem, levantar a coragem dos abatidos e arrancar o homem de suas paixões e do desespero. O Espiritismo, por sua lógica e capacidade de explicar o que outras filosofias não conseguem, atrai aqueles que buscam a verdade e a consolação. A sua grande força reside em ser uma doutrina racional que satisfaz à razão, e que explica o que as muitas outras filosofias não conseguem, resolvendo uma multidão de problemas reputados insolúveis. Por essa razão, a Doutrina Espírita atrai os que duvidam e a buscam de boa-fé. Nesse processo, os médiuns são incumbidos de transmitir os ensinamentos dos Espíritos. Os adeptos esclarecidos têm o dever de espalhar este ensinamento ao seu redor, oferecendo-a aos que a procuram, sem, contudo, impor a crença ou violentar consciências, visto que o Espiritismo não reclama fé cega nem obediência passiva.
- “Não se assustem com a responsabilidade. Apenas façam aquilo que vocês sabem que devem fazer. Vejam que há muitas pessoas concordando com aquilo que vocês escrevem, com aquilo que vocês falam. Esses abrirão outras portas e receberão a mesma responsabilidade.”
A responsabilidade moral é central na doutrina. A propagação das ideias espíritas exige que os adeptos honrem a Doutrina pela prática da caridade por pensamentos, palavras e obras, transformando-se em espíritas praticantes. O trabalho dos médiuns é validado pela concordância no ensino, que, ao satisfazer à razão e ao coração, atrai a adesão das massas. A Doutrina se expande através da multiplicação dos grupos mediúnicos, de grupos de estudo e do aumento de adeptos que leram e compreenderam as obras (princípios e fundamentos do Espiritismo).
- “Não há um só ser, uma só consciência, que não será questionada. Eu não queria usar a palavra perturbada, mas ela significa algo que vocês entenderão. Não existe uma só consciência que não será perturbada pelo mundo que aqui se encontra, esse mundo espiritual.”
Esta observação está em profunda conformidade com o ensino dos Espíritos Superiores, visto que a Doutrina Espírita demonstra a correlação incessante entre o mundo corporal e o mundo espiritual, sendo este último, o mundo natural, primitivo e eterno. Essa influência se dá de maneira oculta sobre nossos pensamentos e atos, e a ação incessante dos Espíritos não é passiva, pois eles pensam e agem sem cessar. Essa intervenção é um estímulo que nos atrai para o bem, sustentando-nos nas provas da vida. O termo “perturbação” deve ser compreendido como um despertar inevitável da consciência para a realidade espiritual, um processo que perturba certas ideias e tem por finalidade conduzir o homem a refletir, conhecer-se, julgar-se e emendar-se. O Espiritismo vem, justamente, como o mais terrível antagonista do materialismo, fornecendo a prova da existência da alma e sua sobrevivência e sendo a chave racional para solucionar os fenômenos até então inexplicados ou tidos por sobrenaturais.
- “Nós estamos coordenando vários grupos. Existem outros [Espíritos] acima de mim, moralmente superiores, que nos enviam essas mensagens e nos fazem agir para que o mundo desperte. Pelo menos uma grande quantidade de pessoas despertou para essa verdade absoluta que é o mundo espiritual.”
Esta parte da mensagem reforça a estrutura hierárquica e organizada do mundo espiritual, conforme demonstrado pelo Espiritismo. A Doutrina estabelece a existência de Espíritos de diferentes ordens, que variam em moralidade e saber, estendendo-se dos Simples e Ignorantes até os Espíritos Puros, que reúnem ciência, sabedoria e bondade. A coordenação de grupos e a recepção de mensagens de Espíritos moralmente superiores são características do trabalho sério, sendo o ensino que provém deles o resultado da concordância coletiva. O objetivo essencial desta intervenção é promover o aperfeiçoamento moral do homem, destruir o materialismo, e conduzir a Humanidade ao reconhecimento da verdade absoluta que é o mundo espiritual, processo esse que se concretiza pela multiplicação dos grupos e pela propagação da doutrina.
- “E saiam do misticismo, das incoerências, das falsas verdades que se arraigaram nessa literatura vasta que vocês têm nas estantes das livrarias, que chamam por títulos mirabolantes, que pensam que falam do mundo espiritual.”
A Ciência Espírita é uma ciência filosófica e racional que repele a crença cega, exigindo o uso da razão e do bom senso para que o indivíduo saiba por que crê. Kardec estabeleceu que a Doutrina deve ter uma linguagem clara, isenta de misticismo ou alegorias, e que seu objetivo primordial é o aperfeiçoamento moral, alertando contra a prática desviada pela curiosidade. Existe o risco constante de incoerências e contradições, pois os Espíritos se manifestam em diversos graus de saber e moralidade (podendo ser ignorantes ou maliciosos), o que resulta na proliferação de uma “vasta literatura”, com extravagâncias e utopias que se prestam ao ridículo, como constatamos por aí. Para combater esses desvios e garantir a verdade, é fundamental submeter todas as comunicações ao crivo da lógica e da razão e, principalmente, ao critério da Concordância Universal dos Ensinos dos Espíritos, ou seja, a identidade dos princípios revelados por múltiplos médiuns em diferentes locais ao mesmo tempo.
- “Não percam o caminho que se abriu diante de vocês.”
A Doutrina atua como um poderoso auxiliar, pois confirma as verdades cristãs e explica em termos acessíveis o que Jesus não pôde revelar integralmente no Seu tempo, porque a Humanidade não estava madura para compreender. Perder este caminho significa desviar-se do objetivo moral caindo na curiosidade estéril.
- “Desejo que todos sejam a luz de Deus. Aquilo que digo desde sempre, comunico com vocês. Propaguem essa luz. Sejam, sim, a luz de Deus. Porque aqui todos nós somos a luz de Deus.”
Esta ideia fundamental do Espiritismo ensina que todos os seres humanos são, de alguma forma, médiuns. Isso quer dizer que cada um de nós tem um Espírito que o guia para o bem, mesmo que não se ouça essa voz de forma clara ou consciente, pois é uma inspiração que fala ao coração. O destino de todos os Espíritos é progredir e se aperfeiçoar, alcançando a perfeição moral. O Espiritismo nos dá o conhecimento necessário para que possamos nos aproximar da Divindade. A doutrina tem como objetivo principal despertar o amor ao bem por meio da prática da lei de caridade e amor, que é o núcleo dos ensinamentos de Jesus. Os Espíritos Superiores, como o Espírito de Verdade, são mensageiros de Deus que trazem a luz e a instrução para acelerar a regeneração da humanidade. A fé que o Espiritismo proporciona é racional e inabalável, dando força e coragem e aumentando o número daqueles que se esforçam para se tornar verdadeiros Espíritas. Portanto, para que a sociedade melhore, é essencial que todos compreendam e apliquem essa luz e esse conhecimento moral.
Concluímos que a mensagem está em conformidade com a Ciência Espírita, pois concorda com diversos conceitos do Espiritismo. As palavras deste Espírito ecoam a voz dos Bons Espíritos Esclarecidos que, desde a Codificação, exortam os homens a sair da ignorância e do erro, a abraçar uma fé raciocinada, e a se tornarem ativos propagadores da verdade e da caridade desinteressada. É através da melhoria individual e da união fraterna que a Humanidade alcançará o seu progresso moral.
Imagem de Tumisu por Pixabay





O teor desta mensagem está a ser repetido em locais distantes entre si, por médiuns diferentes e sem conhecimento uns dos outros. Cumpre, como se verifica os requisitos do CUEE.
Olá, Augusto!
Bom saber que está se repetindo. Nós não sabíamos. Onde eu posso ter acesso as comunicações que você mencionou? Seria muito interessante comparar.
Ariane Netto Daud
Muito interessante a sua reflexão sobre a mensagem, mas se for possível você poderia dar mais detalhes sobre a origem desta comunicação, ou seja, qual foi a finalidade da comunicação.
Obrigado!
Bom dia, Wilson!
Agradeço muito seu comentário. Ele nos ajuda muito.
A comunicação aconteceu pela pergunta destacada que está no início: “Pergunta: Sobre esses esforços, às vezes parece que não encontram muitas pessoas dispostas por aí. Gostaria de uma avaliação nesse sentido de como estão.” Os esforços que a pergunta se refere é sobre os esforços que os integrantes do grupo fazem para reunir grupos mediúnicos interessados em intercâmbio. Não se encontra pessoas que tem disposição em compartilhar as comunicações, analisar, comparar, criar uma pesquisa, divulgar progressos em escala, etc..
O intuito é fazer o que Kardec ensinou: conversar com os espíritos e CUEE. Para tanto, há uma iniciativa do grupo já pronta para isso, mas quase nenhuma adesão.
Muito obrigada!