Obsessão física: um caso de Psicocinesia Espontânea Recorrente, por Leonardo Paixão

Tempo de leitura: 5 minutos

Leonardo Paixão

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Em casos de obsessão física, recomenda-se a necessidade do estudo aprofundado da obra (“O livro dos Médiuns”) e do método de Allan Kardec bem como dos estudos da parapsicologia, a fim de se evitar conclusões apressadas em tais casos.

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Preliminares

No meio espírita a obsessão é sempre falada. No entanto, na classificação de Allan Kardec, em “O livro dos Médiuns” (notadamente no capítulo 23 – Da Obsessão), há para além da classificação dos três tipos que Kardec escalonou (obsessão simples, obsessão por fascinação, obsessão por subjugação), está claro um outro tipo: a obsessão física. Esta, mais tarde, os parapsicólogos chamariam de “poltergeist” (palavra alemã que significa Espírito brincalhão, barulhento).

No Movimento Espírita Brasileiro, as reuniões de desobsessão (assim chamadas) percorrem um caminho cujo método está longe do proposto por Allan Kardec.

Um ex-espírita

Há um caso de um ex-espírita, agora ateu, que esteve no Movimento Espírita por 30 anos, tendo sido um conhecido palestrante em nível internacional e, também, escritor. Ele, que havia sido, inclusive, doutrinador em reuniões mediúnicas, mas se afastou do Movimento Espírita e deixou todas as atividades espíritas.

Um dos casos que ele conta é o de uma médium que se dizia inconsciente. Um dia, ele perguntou se havia interferência de sua mediunidade na família. Ela, que se dizia inconsciente, respondeu positivamente e que ela até dava palpites. O referido ex-espírita teve mais essa “decepção”… Veja que coloquei a palavra entre aspas porque entendo que há a falta de “espírito de pesquisa”, nos Grupos Espíritas em geral e, particularmente, nos de desobsessão.

A desobsessão

Como já afirmou o Dr. Inácio Ferreira, a desobsessão é caridade e pesquisa. Por exemplo: que adianta se fazer uma reunião para desobsessão, se não há casos específicos para serem abordados e estudados? Deixar as manifestações ocorrerem de forma puramente espontânea é tornar tal reunião apenas um “socorro” a “Espíritos sofredores” e, também, aos médiuns que estejam em transe anímico (e isso já é assunto para outro artigo).

Nas obras “A Loucura sob Novo Prisma”, de Adolfo Bezerra de Menezes; “Novos Rumos à Medicina”, vols. I e II, de Inácio Ferreira; “A Obsessão e seus Mistérios”, de Carlos Bernardo Loureiro; “O Livro do Médium Curador”, de José Lhomme; “Vampisirmo”, de José Herculano Pires; “Desobsessão – Estudo Prático”, de Ricardo Di Bernardi, há considerações sobre a desobsessão. Em algumas, é orientado que se leve a pessoa obsedada à reunião, mas nem todos os autores são concordes a isto. Mas todos afirmam estar fundamentados em Allan Kardec.

De outra sorte, há os que recomendam que se anote nome completo e endereço de onde a pessoa está, para que o/a dirigente da reunião de desobsessão, no momento específico, possa ler os dados. Neste momento, os médiuns irão se concentrar e, conforme os processos de clarividência (com a descrição do local e da pessoa/pessoas que estão no referido endereço), poderá decorrer a percepção se há Espíritos obsessores ou não.

Isto, claro, em havendo médiuns clarividentes na reunião e pesquisando após ou sabendo como é a casa e como são as pessoas, temos presenciado o(s) acerto(s) do(s) relato(s) dos referidos sensitivos – em alguns casos, estou incluso entre eles. Em havendo obsessor(es), este(s) poderá(ão) ser atraído(s pela prece, ou conduzidos pelos “Guias Espirituais”.

Particularmente, tenho visto, médiuns que desconhecem totalmente as pessoas obsedadas, mas, na atividade desobsessiva, são obtidas comunicações dos ditos Espíritos obsessores e estes falam, por estes médiuns, exatamente o que as pessoas obsedadas falavam. Percebe-se, depois de um tempo mais ou menos longo de tratamento, a melhora do/a obsedado/a.

Obviamente que, sem esse tipo de atitude de pesquisa, haverá muitas “decepções”, pois que se cai em uma crença cega ao se aceitar, sem maior exame, as manifestações ocorridas nas reuniões mediúnicas.

Os “poltergeists”: a análise de um caso concreto

E nos casos de obsessão física ou “poltergeist”, como os espíritas tem agido?

Tenho experiência de três décadas lidando com casos de obsessão e, sempre que chamado para  auxiliar em casos de obsessão física ou “poltergeist”, buscamos avaliar o contexto social em que os moradores da  casa vivem, a estrutura da casa, os hábitos de seus moradores, a fim de se tirar as dúvidas referentes à existência ou não de defeitos na estrutura da construção, os quais poderiam levar a fenômenos naturais e estes serem  confundidos com um fenômeno espiritual.

Em uma residência à qual fui chamado a ajudar em casos de barulhos diversos na casa, marquei para fazer uma visita e no dia. Pedi, então, licença à proprietária e usei da faculdade anímica da psicometria que possuo para percorrer todos os cômodos da casa, tocando em objetos e paredes.

Ao encostar em um cômodo repleto de antiguidades senti uma forte sensação de angústia. A proprietária, então, me falou que havia muita coisa guardada ali e que os objetos haviam pertencido a seus pais ou seus avós, e que havia muita alegria e alguma mágoa naquelas recordações.

Pois bem, até aqui, no local, qualquer barulho foi constatado, nem objetos se puseram em movimento, sem causa material aparente.

Por três dias seguidos, dentro do que propomos, fizemos a reunião de desobsessão, em que oramos e evocamos o suposto Espírito obsessor (que estava  causar os incômodos de arrastamento de móveis ou quedas de objetos, mas, quando se ia verificar nos cômodos da casa, nada havia). Nenhum Espírito, todavia, se comunicou.

Continuamos a investigação, até que observamos que a neta da proprietária, com treze anos à época, estava a passar uma temporada com ela. Perguntamos, então, à avó: –“Esses episódios ocorreram de outras vezes?”. A resposta foi: –“Sim, anos atrás, eles tem ocorrido com frequência e param depois de um tempo e retornam depois em novo período”.

Então, perguntei mais: –“Nesse período em que há tais barulhos, sua neta está com você?”. E a resposta: –“Sim”.

A análise do caso concreto

Portanto, achamos a causa do fenômeno: a neta. Agora, cabia investigar se ela era a médium de efeitos físicos ou se, devido a um trauma pessoal, ela poderia dispender energia psíquica a tal ponto de causar os barulhos que incomodavam os moradores da residência.

Em relatos sobre obsessão acredita-se que o foco de uma perturbação seja oriundo de uma criança na fase da puberdade, em geral do sexo feminino, ou mesmo um adulto dotado de poderes paranormais. O evento caracteriza-se por estar relacionado a um indivíduo presente em um ambiente e pode ser de curta a longa duração. Difere sutilmente da chamada assombração (“Haunting”), que pode se estender por anos e está sempre associada a uma área, geralmente uma casa, a qual contém histórico de mortes violentas.

Diante da observação sobre a presença da neta da proprietária do imóvel, naquele local, sugeri que a menina fosse para a própria casa, por um mês, para se observar se retornaria a ocorrência dos fenômenos. Passaram-se dias e, sem a presença da neta, nada foi percebido. Mas, assim que a neta pisou novamente na casa, tudo recomeçava.

O interessante é que, à medida que a menina ia ficando mais velha, os fenômenos iam perdendo força. Atualmente, a menina é uma mulher de mais de 20 anos e não há mais fenômenos ocorrendo na casa da avó, quando ela a visita.

Conclusão

Concluímos, afirmando a necessidade do estudo aprofundado da obra (“O livro dos Médiuns”) e do método de Allan Kardec bem como dos estudos da parapsicologia, a fim de se evitar conclusões apressadas em tais casos.

Imaginem o que iria ocorrer se orientássemos à pessoa para que fizesse o “Evangelho no Lar”” e permanecesse em oração? A referida senhora estaria sem o esclarecimento devido e, portanto, igualmente, com o medo dos fenômenos que, em tais casos, se expressam naturalmente.

Fontes:

Kardec, A. (1998). “O livro dos Médiuns”: Guia dos médiuns e dos evocadores. Trad. José  Herculano Pires. 20. ed. São Paulo: LAKE.

Tinoco, C. A. (1989). “Poltergeists: Fenômenos Paranormais de Psicocinesia Espontânea”. São Paulo: Ibrasa.

Imagem de Thomas G. por Pixabay

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Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

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