Conectados e Manipulados, por Ada Martins Correia

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Por Ada Martins Correia

O autoconhecimento e a transformação pessoal pelo exercício da prática de a cada dia vencer as próprias imperfeições morais, é o caminho indispensável para o discernimento espiritual e mental

A promessa de que a expansão da internet e o fácil acesso aos meios digitais democratizariam o conhecimento revelou-se uma ilusão conveniente. A ampliação do acesso à informação, por si só, não é garantia de qualidade, profundidade ou discernimento. A ideologia dominante em uma sociedade continua sendo a ideologia das classes dominantes. Assim, o enorme fluxo de dados ao qual somos expostos diariamente não foi desenhado para promover a conscientização crítica, mas para reiterar e consolidar estruturas de poder. O projeto de massificar a comunicação, em vez de funcionar como uma ferramenta de emancipação, transformou-se em um mecanismo refinado de aprisionamento digital e comportamental.

O resultado dessa arquitetura de controle reflete-se na forma como a dependência das redes sociais é estimulada. As plataformas digitais funcionam como vitrines estruturadas para direcionar os desejos da população, estabelecendo padrões estéticos inalcançáveis e promovendo o consumo como única via de realização pessoal. Paralelamente, espalha-se a promessa enganosa do enriquecimento fácil, estimulando a busca por itens de luxo por meio do mercado de apostas, o que canaliza a esperança do trabalhador para a ilusão do ganho imediato, enquanto esconde o esgotamento social e econômico subjacente.

Essa mesma lógica ideológica atua no plano cultural e socioeconômico ao moldar as percepções sobre o trabalho e o Estado. Por meio de narrativas cuidadosamente difundidas, estimula-se a falsa sensação de que o trabalhador autônomo de renda média é um “grande empresário”, mascarando a precarização das relações de trabalho sob um discurso sedutor de meritocracia e empreendedorismo. Simultaneamente, consolida-se a ideia distorcida de que o auxílio governamental destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade financeira ou de saúde seria nocivo para a sociedade.

Frente a esse cenário de alienação e estímulo às ilusões materiais, torna-se essencial resgatar a responsabilidade pelo equilíbrio emocional, tanto individual quanto coletivo. Como aponta Allan Kardec nas obras fundamentais da Doutrina Espírita, o autoconhecimento e a transformação pessoal pelo exercício da prática de a cada dia vencer as próprias imperfeições morais, é o caminho indispensável para o discernimento espiritual e mental. O cultivo da paz interior e o compromisso ético com o bem-estar do próximo funcionam como um escudo contra as manipulações externas. Ao assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas e emoções, o indivíduo fortalece a coletividade e resiste à lógica do consumo e da alienação, reorientando a busca por sentido em direção à verdadeira solidariedade e à emancipação consciente.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

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Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

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