Por Hugo Britto
Herculano Pires reforçou que a Doutrina Espírita é, por essência, uma ferramenta de transformação social, e que o espírita deve ser cidadão consciente, crítico e ativo, sem fanatismo partidário, mas também sem neutralidade covarde.
O espírita não pode ser omisso diante da vida pública. Kardec ensinou que a política deve ser exercida como caridade social, um instrumento de transformação das condições que geram miséria e injustiça. Léon Denis foi direto: calar diante da injustiça é cumplicidade, e a fé sem obras é morta. Herculano Pires reforçou que a Doutrina Espírita é, por essência, uma ferramenta de transformação social, e que o espírita deve ser cidadão consciente, crítico e ativo, sem fanatismo partidário, mas também sem neutralidade covarde. Não se trata de defender partidos, mas de defender princípios: justiça, fraternidade, dignidade humana. O espírita na política não busca poder, busca o bem comum. Sua pátria é a consciência reta, seu partido é o bem. Que a nossa fé seja ativa, e que a nossa caridade seja também política.
A extrema direita representa exatamente o oposto desses valores. Onde o espiritismo pede fraternidade, ela prega o ódio ao diferente. Onde pede justiça social, ela defende privilégios e concentração de riqueza. Onde pede dignidade humana, ela dissemina preconceito, intolerância e violência. Onde pede caridade ativa, ela abandona os pobres, os migrantes, os marginalizados. Onde pede consciência crítica, ela impõe pensamento único, censura e fanatismo. Onde pede amor ao próximo, ela cultua o egoísmo, a lei do mais forte e o desprezo pelos fracos. O espírita que se alinha à extrema direita trai Kardec, trai Denis, trai Herculano Pires e, acima de tudo, trai o Cristo. Não há compatibilidade entre a moral espírita e o projeto de ódio, exclusão e injustiça da extrema direita. Que a nossa fé seja ativa, e que a nossa caridade seja também política e que jamais se curve ao retrocesso.
Imagem de Roland Steinmann por Pixabay




