Por Valéria Ledoux
Quero desfazer os meus, os teus, os nós que hoje reverberam na voz do vento que espalha a minha voz emudecida, calada, colada à imagem do passado, por não ter sido dita.
Só o amor desfaz os nós…das palavras ditas, não ditas, mal ditas e que agora são pó…
Quero perdoar e me libertar; quero ser perdoada e te libertar…do passado que já não é, do presente que ainda não foi, do futuro que nunca vai ser…
Quero viver a fantasia do amor!
Quero gritar ao vento EU AMO!!!
Quero acreditar que ainda há…
Não, não é fantasia, é roupa de festa, real, única, intensa, fugaz, suave, pesada, clara, rota, inteira, terna e eterna…
EU SOU!
Sou a voz que não cala, que grita, que murmura e embala, a voz que se apressa em dizer o que por tanto tempo calou.
Sou o som do acalanto, a melodia da chuva que escorre por sobre os telhados, o estrondo do trovão nas madrugadas longas e escuras, frias e lentas…
Sou o som das vozes de todos que querem, que pedem, que choram, que imploram e que se despedem por já não poderem mais esperar.
EU AMO!!! Eu clamo, eu chamo, eu reclamo, eu abandono, e retorno a cada primavera, com esperança renovada, com alma lavada, com força recobrada e nada! Outra vez, nada mudou, nada!
Quando?
Quando eu terei a coragem daquela criança ingênua, nua, que se perdeu de si mesma, que se esqueceu de tudo, que cresceu e se calou?
Hoje eu vou; porque eu sei! Eu sei que eu sou!
Não há mais tempo para desperdícios, não há mais tempo para vícios, não há mais que esperar as mudanças!
Mudanças de ventos, de tempos, de fases.
Hoje! Agora! Aqui! Já!
Imagem de Ofoto Ray por Pixabay




