Editorial Espiritismo COM Kardec
“O número dos retardatários ainda é grande, mas que podem contra a onda que sobe, senão lançar-lhe algumas pedras?”, Allan Kardec.
Em 2022, o nosso coletivo ECK se manifestou de forma pontual em relação às eleições nacionais daquele ano. Afinal de contas, o tormentoso e deplorável transe que se estendeu por quatro anos, com a vitória da extrema-direita sobre as forças progressivas e progressistas verde-amarelas. O texto, similar a esse, é reapresentado com importantes acréscimos.
Lembramos nossas destacadas cores, dentre as quatro que compõem nosso estandarte-maior, porque não é de hoje nem de ontem, mas de anteontem, lembrando o Golpe de 1964 e a longeva Ditadura Militar, os discursos se repetem, no sentido de tentar subtrair e se apropriar ILEGITIMAMENTE das nossas cores, da nossa bandeira e dos demais elementos do nacionalismo terra-brasilis, por alguns que se acham mais brasileiros que os demais. Tentaram e continuam tentando impor uma ideia canhestra de que a esquerda brasileira seja “comunista” – da parte, quase sempre de quem nunca estudou com profundidade a história para perceber que, ao contrário das sucessivas gestões de centro-esquerda em nosso país, desde a eleição de Fernando Henrique Cardoso, FHC (PSDB), em 1994.
O fato é que desde FHC, passando por sua reeleição e, depois, um duplo mandato de Luís Inácio Lula da Silva, uma dobra de Dilma Vana Rousseff (interrompido, abruptamente, por um golpe “constitucional”, em um impeachment orquestrado pela mesma sanha destrutiva “à direita”), valores humanistas, livre-pensadores, democráticos, inclusivos, de respeito aos diferentes, de resgate da honra nacional no plano internacional, de superação da miséria e pobreza extremas, de alcance de uma estabilidade econômico-financeira sem precedentes “nunca antes na história desse país”, após os QUATRO ANOS DE BARBÁRIE E AUSÊNCIA DE CIVILIDADE, Lula foi eleito, uma vez mais, para um terceiro mandato, em 2022, o que representou a derrocada de uma deletéria força destrutiva, gerada artificialmente no ventre da nação, que havia colocado no poder um grupo que tem como pauta principal a necropolítica.
O Brasil, Terra do Cruzeiro, superou um cenário de ruínas, deixou de respirar por aparelhos e, sem combate aos diferentes e com diálogos estadistas, no plano interno e mundial, nos devolveu a ESPERANÇA de poder viver em paz e de sensatamente olhar para o futuro, novamente, com otimismo. Tanto que, por exemplo, durante a Copa do Mundo de 2026, todos os brasileiros–independente das preferências ideológicas, vestiram as cores nacionais e se postaram diante dos televisores e streamings para ostentar a honra e a garra brasileiras.
Não somos ufanistas para entender que, no curso da história, um país e uma nação naveguem em mar de cruzeiro. Longe disso. Assim como se diz que mar calmo não faz bom marinheiro”, representando esse adágio o compromisso do bom marujo içar ou baixar velas, aprumar o timão e corrigir, com o leme, as rotas, o Brasil sofreu e chorou; bailou e riu; preocupou-se e esperançou-se (ah, Paulo Freire, que nos ensinou a conjugar esse verbo!). Alternamos, enquanto nação independente, – e há quem venha “suspirar” por uma intervenção norte-americana em nossa economia, política e gestão, pasmem! – distintos períodos de progresso e de ventura, assim como espasmos de rudeza e intolerância. Como espíritas, entendendo os processos humanos e humano-sociais, assim como os de natureza físico-material de um planeta que tem, sim, também, vida própria, como tudo em a Natureza, entendemos ambas como experiências necessárias ao coletivo, como o são em relação às individualidades. Tudo, absolutamente, progride – apesar de muitos, ainda, não o quererem ou lutarem contra o progresso. Nas questões 779 a 785, da obra primeira (“O livro dos Espíritos”), a clarividente perspicácia do Mestre francês, o Professor Rivail-Kardec, já teria consultado as Inteligências Invisíveis, acerca daqueles que se tardam para tentar obstar a marcha do progresso, no que elas esclareceram que, ainda que consigam retardar o curso progressivo e progressista, nenhum ser humano – nem grupo político-social – consegue deter o curso natural da vida espiritual. E, em complemento, recomendaram resistência, perseverança, resiliência, mas AÇÃO para compreender que, diante dos excessos do mal, em que as criaturas sensatas conseguem perceber esse equivocado estado de coisas, é preciso atuar no âmbito da necessidade do bem e das reformas.
Depois, em “Os tempos são chegados”, Kardec desfila sua qualidade crítica, seu sapiente exame e seu otimismo em relação ao futuro, (“Revue Spirite”, outubro de 1866):
“Dizendo que a Humanidade está madura para a regeneração, isto não quer dizer que todos os indivíduos o sejam no mesmo grau, mas muitos têm, por intuição, o germe das ideias novas, que as circunstâncias farão eclodir; então eles se mostrarão mais adiantados do que se pensava, e seguirão com ardor o impulso da maioria” (Sublinhamos).
Este recado professoral NÃO se destina – apenas – aos espíritas, mas a todos os indivíduos reencarnados neste planeta, a começar pelos brasileiros, neste outubro de 2026. Nossos irmãos brasileiros, de qualquer credo ou filosofia, com suas crenças e entendimentos, precisam, muito mais agora, resistir diante das ameaças do mal, pois este, independente da certeza ou da descrença na reencarnação e no progresso espiritual, pois nem todas as religiões o entendem de modo similar, é o inimigo comum, e é contra ele que se devem se levantar aqueles que Yeshua chamou de homens de bem. Todavia, como coletivo espírita que somos, o nosso recado é, sim, primeiramente direcionado aos espíritas, para que possam ler e pensar a este respeito.
O caminho – progressivo e progressista – que, segundo a matriz espírita nos endereça a alcançarmos o terceiro estágio de qualificação na Escala dos Mundos, o de Regeneração, superando o primeiro, Primitivo, e deixando o atual, de Expiações e Provas, é construído e edificado dia após dia, ano após ano, geração após geração. Porque não há qualquer “regeneração” plasmada, idealizada, fabricada, tampouco outorgada. Não há estágio futuro, melhor e feliz, mais harmonizado e próspero, sem o suor dos rostos daqueles que encarnam neste orbe com a missão primeira de elevarem-se, em intelecto e sentimento, espiritualmente, para, depois, fazerem o coletivo planetário também se elevar.
Luta inevitável
Na mesma dissertação do professor francês, acima referida, ao final do texto, ainda recebemos importante cátedra e recomendação: “O número dos retardatários ainda é grande, mas que podem contra a onda que sobe, senão lançar-lhe algumas pedras? Essa onda é a geração que surge, enquanto eles desaparecem com a geração que vai a largos passos. Até lá defenderão o terreno palmo a palmo. Há, pois, uma luta inevitável, mas desigual, porque é a do passado decrépito, que cai em farrapos, contra o futuro juvenil; da estagnação contra o progresso; da criatura contra a vontade de Deus, porque os tempos por ele marcados são chegados” (Nossas marcações).
A luta, então, está posta mais uma vez. E ela não se acha circunscrita a meros nomes – que se opõem, ainda mais evidentemente num momento como o atual, de eleições governamentais nacionais. Trata-se, na verdade, de projetos. De linhas de pensamento. De valores. De virtudes. De como se considera e interpreta cada uma das situações que fazem parte da nossa vida de encarnados neste orbe. E neste país chamado Brasil.
A luta que já se materializou em 2022, se repete. E é, pois, inevitável, porque já experimentamos, com muito sofrimento, quatro anos de revivescência de ideais que considerávamos superados e sepultados na história da Humanidade terrena, naquele obscuro período de 2019-2022. Épocas similares às das duas Guerras Mundiais. Momentos como os séculos de escravidão e dominação cultural de povos, uns sobre os outros. Períodos de redução das liberdades, com o estabelecimento de ditaduras. Épocas de nazismo e fascismo. Tempos de repressão aos que pensam diferente. Tudo isto, que retornou naqueles tristonhos quatro anos, está, novamente, no nosso horizonte, com a presença, nas redes sociais e nos nossos convívios presenciais, de sombrios indivíduos que, antes até escondiam seus “piores lados”, mas que têm voz no cenário deste 2026, fazendo estas vozes reverberarem na voz, agora, do filho mais velho do Inominável (que está preso!), repetindo as mesmas bravatas, grosserias, ameaças e a falta de empatia e de respeito com os “diferentes” ou com as dores alheias, marca indelével do sobrenome do clã, mas repetido, também, por todos aqueles que fazem parte do seu cercadinho…
Mesmo considerando sermos, TODOS NÓS, ainda, muito imperfeitos, isto não significa nos abstermos de, acompanhando outra afirmação célebre de Kardec que nos endereça a “lutar contra as nossas más imperfeições”. E, neste sentido, é obrigação do espírita (como também o é do cristão em geral, espírita ou não), a combater posturas de rancor, ódio, intolerância, belicosidade, agressividade e o desejo de exterminar os “diferentes”, dentro de toda a gama de sentimentos vis.
Entretanto, por termos vivido (e sofrido!) aqueles quatro anos (2018-2022), diante de vinditas e chacotas, assim como ironias e iniquidades, do então “sr. presidente da República”, aplaudidas ou valorizadas por aqueles que se identificam com todas as pérfidas e desqualificadas manifestações do mesmo, em infinitos instantes e distintos cenários, devemos preconizar e lembrar que o “amor à pátria” e a condição de ser “religioso cristão”, mas pregam o combate aos “diferentes” e, até, o extermínio dos “comunistas”, a partir do armamentismo e da oficialização da violência, seja o individual seja o institucional, estamos “escolados” para mover todos os NOSSOS ESFORÇOS para que não mais se repita o panorama daqueles tristes tempos, cujas marcas ainda existem em nós, mas, sobretudo, em todos os grupos que foram menosprezados e achincalhados pelo governante e seus seguidores. Não mais!
Por isso, nosso Coletivo ECK deseja um país plural, cujos valores imprescindíveis sejam a diversidade de opiniões, a liberdade das manifestações e o respeito interpessoal, sobretudo entre aqueles que se consideram “opostos”, separados pela natureza de suas próprias convicções. Este país genuinamente plural requer uma democracia forte, estruturada sobre tríplices pilares (Executivo, Legislativo e Judiciário), que se fiscalizam, entre si, e que delimitam os arroubos que possam vir tanto das ideologias quanto da interpretação e uso das ferramentas legais, políticas e jurídicas disponíveis. Bradar, de um lado, contra os demais lados da estrutura de poder de um Estado já é, de início, uma má formação de caráter e uma manifestação clara de desrespeito ao próprio ideal de Estado Democrático.
Portanto, nestes dias que antecedem a eleição de 25 de outubro de 2026, para segundo turno, para o cargo de Presidente da República do Brasil, para que não fique no escopo da personalidade (candidato A ou candidato B) – ainda que a “seleção individual” da melhor opção seja a decorrência de toda esta análise e construção ideológica espírita – devemos perpassar os olhos para as “realizações” do atual governo (o terceiro de Lula da Silva), em todas e qualquer uma das áreas em que o Governo da República Federativa do Brasil atua e é constitucionalmente obrigado a atuar, para chegar às seguintes conclusões técnicas e jurídico-políticas:
a) Economia – combate à inflação galopante, à carestia e à perda do poder de compra dos salários; retomada dos postos de trabalho; aporte de novas organizações industriais e comerciais, estrangeiras, com geração de empregos e renda, além de diversificados benefícios econômicos; combate à pobreza e à miserabilidade do povo, voltando aos níveis anteriores ao governo 2019-2022; retomada dos estoques reguladores de alimentos do Governo Federal; prática dos subsídios aos derivados do petróleo, para pessoas e empresas; valorização dos ativos empresariais e das áreas lucrativas do Estado;
b) Saúde – retorno do combate às doenças e enfermidades, voltando ao padrão de erradicação de muitas delas no país; práticas constantes de imunização de toda a população, inclusive para doenças como a dengue e a gripe; disponibilização dos itens de farmácia básica e popular e de medicamentos especiais, cujos valores são inacessíveis a grande parte dos brasileiros, por meio dos postos públicos de saúde; ampliação da cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS), considerado como o melhor de natureza pública, universal e gratuito de todo o planeta;
c) Política Interna – combate às “negociatas” com o Congresso Nacional; retomada do padrão de transparência em relação ao orçamento; valorização dos poderes constituídos ante ameaças e bravatas de governantes internacionais ou representantes políticos locais; política permanente de valorização do Judiciário, especialmente ao Supremo Tribunal Federal, maior instância judicial do país; apuração de denúncias de malfeitos em vários Ministérios, importando no afastamento ou substituição de autoridades públicas, especialmente Ministros de Estado e outras autoridades, de maneira prévia, para a apuração das eventuais irregularidades;
d) Política Externa – retorno da credibilidade do país e de seus representantes políticos, com a realização de discursos em eventos no exterior, com reconhecimento de países e organismos internacionais (Mercosul, OEA, ONU);
e) Segurança Pública – adoção do patrulhamento e combate ostensivo à violência e à criminalidade; ausência de efetivo combate as milícias e organizações paramilitares, com o aumento dos efetivos policiais, civis e militares; retomada do desaparelhamento armamentista do cidadão comum, inclusive com operações policiais para recuperação e captura de armas e munições;
f) Meio Ambiente – significativa diminuição do quantitativo de áreas devastadas em todos os ecossistemas brasileiros; combate à exploração galopante e descontrolada (mineração, garimpo e extração de madeira, assim como comércio de espécies animais); retomada do monitoramento das áreas ambientais de interesse nacional e da efetiva prevenção de desastres ambientais; aumento, por normas e fiscalização, das áreas de preservação;
g) Educação – recuperação da valorização do ensino técnico profissionalizante e do ensino superior, pela valorização dos profissionais que atuam em universidades; retomada dos incentivos governamentais à formação educacional, como bolsas de ensino e dos percentuais repassados às instituições federais de ensino técnico e superior;
Sensatez e voto
Poderíamos, ainda, listar muitas outras áreas. Mas entendemos que o recorte acima já seja, por si só, suficiente. O “modo de administração” do Estado Brasileiro, na gestão Lula da Silva, em atenção aos seus deveres e misteres constitucionais, é flagrante e está exposta em números de qualquer instituição que se dedica, de modo independente, ao mapeamento e à apresentação dos resultados dos programas e ações governamentais.
Não, não se trata de um discurso político-partidário! Mas é, sim, um discurso político espírita, destinado a estabelecer, após a detalhada análise, a crítica sobre qual modelo de gestão e qual ideologia desejamos que prevaleça em nosso país. Lembrando o Codificador, no texto apresentado acima, a “luta inevitável, mas desigual”, entre o “passado decrépito, que cai em farrapos” e o “o futuro juvenil”, ou, ainda, “da estagnação contra o progresso” é a nossa luta do hoje.
E, para isso, a nossa opção se apresenta como contrária ao passado decrépito e à estagnação que representa o candidato Flávio Bolsonaro, admitindo-se que a construção do futuro juvenil e do progresso passam pela escolha do candidato capaz de dar um basta ao quadro acima apresentado, em riqueza de detalhes e em elementos reais, de fácil identificação para o homem comum, optando-se pela candidatura que, se não perfeita – já que estamos num plano de expiações e provas, repleta de indivíduos imperfeitos e passíveis a erros – representa a ESPERANÇA do povo brasileiro, para vencer as adversidades e seguir no modelo político-administrativo mais adequado para o nosso Brasil, no próximo período (2027-2030).
Assim sendo, o coletivo “Espiritismo COM Kardec” avaliza, endossa, assume e recomenda a TODO ESPÍRITA SENSATO, que entendeu a proposta contida na Codificação Espírita, NOVAMENTE, o voto em Luiz Inácio Lula da Silva.
É a nossa posição, ainda respeitando a liberdade democrática, a livre convicção e a manifestação pacífica e ordeira, de cada cidadão-eleitor espírita.
Brasil, 12 de outubro de 2026, a menos de duas semanas da eleição presidencial, em segundo turno, 25 de outubro.
Coletivo Espírita “Espiritismo COM Kardec”.
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Os meus votos de que todos esses bons sentimentos cheguem a todos os que irão colocar o seu Voto para que o progresso chegue com uma decisão consciente. Boa sorte Brasil.