Visão Espiritual versus Visão Material, por Mario Fontenelle

Tempo de leitura: 2 minutos

Mario Fontenelle

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A visão material é a percepção realizada através dos órgãos físicos do corpo (os olhos). A visão espiritual é a capacidade de perceber que pertence à alma (ou Espírito) e que se manifesta por meio do perispírito.

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Allan Kardec diferencia a percepção do encarnado da percepção do Espírito, empregando o termo “visão” para ambos, mas com um sentido completamente diferente.

  1. Visão Material (ou Corpórea)

A visão material é a percepção realizada através dos órgãos físicos do corpo (os olhos). Esta visão é:

  • Limitada e Circunscrita: Está restrita ao órgão correspondente e depende da luz exterior.
  • Obstruída: É bloqueada por corpos opacos ou pela escuridão.

A matéria densa e os sentidos corporais (como os olhos) são considerados grosseiros e insuficientes para as percepções espirituais.

  1. Visão Espiritual (ou Vista Psíquica)

A visão espiritual é a capacidade de perceber que pertence à alma (ou Espírito) e que se manifesta por meio do perispírito. Ela é frequentemente referida como dupla vista ou o sentido espiritual (o sexto sentido).

Esta visão é caracterizada por ser:

  • Inerente ao Ser: A faculdade de ver reside no próprio Espírito. O Espírito “vê, ouve e sente com todo o seu ser”.
  • Independente da Matéria: Não depende da luz exterior (solar) e nada a obscurece. Para ela, não há escuridão nem obstáculos materiais (como corpos opacos), pois ela penetra a matéria.
  • Generalizada: As percepções não são recebidas por “canais circunscritos” (órgãos localizados), mas chegam ao Espírito diretamente.

Essa visão se desenvolve à medida que o Espírito se purifica e se desmaterializa, pois a densidade relativa do perispírito nos Espíritos inferiores atua como uma espécie de névoa que enfraquece sua vista espiritual.

Por que Kardec Usou o Termo “Visão”

Kardec e os Espíritos Superiores utilizaram a palavra “visão” (e termos como vista e ver) para descrever a percepção do Espírito desencarnado ou do encarnado em estado de emancipação (como no sonambulismo ou dupla vista) devido à limitação da linguagem humana. Então:

  1. Analogia Necessária: O homem encarnado carece de um sentido para a compreensão das coisas espirituais, sendo comparado a um cego de nascença em relação aos efeitos da luz e cores.
  2. Linguagem Inadequada: Como o Espírito não pode explicar a sua maneira de perceber em termos que a língua humana possa expressar claramente, ele precisa recorrer a figuras e comparações que tomamos pela realidade. O termo “visão” serve como uma comparação (embora imperfeita) para dar uma ideia da faculdade.
  3. Para o Leigo: A confusão se desfaz ao entender que Kardec usa visão (ou vista) não no sentido de usar o olho, mas sim como o atributo de percepção do ser inteligente. O Espírito por si mesmo, sem o auxílio dos olhos. Se a alma estivesse confinada ao corpo, a luz material só lhe alcançaria por um pequeno orifício, mas no estado de Espírito livre, o horizonte visual se estende por completo. Chamar isso de “visão” é a maneira mais simples de traduzir o conceito de percepção total para o vocabulário do encarnado.

 Entender esses conceitos é conhecer o alcance da visão do Espírito, encarnado e/ou desencarnado.

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Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

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