Marcus Braga
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Nosso ECK, uma casa de provocadores, com suas lives e textos, põe na mesa pontos anti hegemônicos, questões ocultas e por vezes, indigestas, submetidas ao debate franco e aberto. Um relevante serviço a causa da orientação dos desorientados, e da luz sobre a penumbra.
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Na década de 1990, a TV Cultura tinha um excelente programa de entrevistas chamado “Provocações”. Conduzido pelo saudoso ator Antônio Abujamra, trazia convidados fora do “Jet Set” [1] e com perguntas instigantes tratava de diversos temas. Posso citar outros entrevistadores provocadores, como Jô Soares e o curioso Zé do caixão.
Provocar é uma arte. O Espiritismo tem seus provocadores também. Formuladores de perguntas instigantes, cutucam temas invisíveis em abordagens criativas. Articulistas necessários que nos fazem olhar para onde ninguém está atento, produzindo o novo.
Mas, por questões de um certo autoritarismo intelectual, de um argumento “ad hominem” predominante, ser provocador acabou sendo visto como anti caridoso. Questionar assumiu um ar pecaminoso, desrespeitoso, e o debate produtivo deu lugar ao consentimento reverencial. Menos Kardec do que isso, impossível!
Mas, é importante destacar que, ao apregoar a concordância submissa, nós nos curvamos a uma pauta patrocinada por algum grupo que tenha seu ponto de vista interpretativo. A provocação apresenta o contraditório, a antítese, que possibilita interessantes sínteses.
Nosso ECK, uma casa de provocadores, com suas lives e textos, põe na mesa pontos anti hegemônicos, questões ocultas e, por vezes, indigestas, submetendo-as ao debate franco e aberto. Um relevante serviço à causa da orientação dos desorientados, e da luz sobre a penumbra [2].
Saibamos valorizar esse tesouro construído por tantas vozes e mãos. O diálogo que por vezes vira conflito, é melhor que a concordância surda, que resulta na cegueira e na ilusão!
Assim se fez, e se faz, o Espiritismo.
Notas do ECK:
[1] A expressão “Jet Set”, foi cunhada na década de 1950, para representar pessoas ou grupos de pessoas ricas que eram famosas e influentes, similar aos “influencers” ou “youtubers” da atualidade. A expressão estava originalmente associada ao ato de viajar frequentemente de avião ― jatos (“jet”) ―, para festas, eventos ou reuniões de ricos (alta sociedade).
[2] Esta característica ECKana é bem descrita num artigo publicado no Portal ECK, intitulado “Por um Método Comunicativo Espírita: o Dialógico, o Dialético e o Contraditório – caminhos para o real entendimento”, cuja referência completa está logo abaixo.
Fonte:
Henrique, M. (2025). Por um Método Comunicativo Espírita: o Dialógico, o Dialético e o Contraditório – caminhos para o real entendimento. “Espiritismo COM Kardec – ECK”. 14. Dez. 2025. Disponível em: <https://www.comkardec.net.br/por-um-metodo-comunicativo-espirita-o-dialogico-o-dialetico-e-o-contraditorio-caminhos-para-o-real-entendimento-por-marcelo-henrique/>. Acesso em 25. Mar. 2026.
Imagem de Jean-Pierre Bellec por Pixabay





É bom provocar para sair do marasmo