Ruy Marcelo
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Propomos uma reflexão sobre a fragilidade da formação de médiuns e suas consequências para o espiritismo prático contemporâneo. Questionamos o desprezo da metodologia espírita como causa do empobrecimento das práticas e comunicações mediúnicas e da falta de avanço da ciência espírita.
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Introdução
A Doutrina Espírita apresenta-se como uma síntese admirável de ciência psicológica e de filosofia moral, tornada possível e estruturada mediante o estudo metódico da fenomenologia espiritual e da mediunidade. No entanto, ao observar o cenário atual do Espiritismo prático — especialmente no que tange à formação de médiuns e à condução dos grupos mediúnicos e das comunicações — é inevitável reconhecer que muitos dos princípios fundamentais têm sido negligenciados, disso resultando a escassez de produção instrutiva e de avanço do conhecimento espírita.
A fragilidade da formação mediúnica
A mediunidade, por sua natureza delicada e complexa, exige estudo, disciplina e orientação segura. Infelizmente, o que se vê em muitos grupos espíritas é uma formação superficial, marcada por improvisações, superficialidades e ausência de método.
O médium iniciante, ou mesmo o candidato à mediunidade, não é habituado a lidar com sua faculdade de forma consciente e racional; tampouco é incentivado a reconhecer os Espíritos simpáticos que o rodeiam ou a estabelecer comunicações regulares com seu guia espiritual.
Essa lacuna formativa compromete não apenas a qualidade das comunicações, mas também a segurança espiritual dos envolvidos. Sem preparo adequado, o médium torna-se vulnerável a influências perturbadoras e a mistificações que poderiam ser evitadas com o estudo sério e a observância da metodologia constante de “O Livro dos Médiuns: Guia dos Médiuns e dos Evocadores”.
O desprezo às instruções de O Livro dos Médiuns
Allan Kardec oferece, em “O Livro dos Médiuns”, um verdadeiro tratado de orientação para o desenvolvimento da mediunidade e a prática mediúnica. No entanto, muitas dessas instruções têm sido ignoradas ou relativizadas. O capítulo 25, por exemplo, trata com profundidade da evocação dos espíritos familiares e dos guias espirituais — prática que tem sido abandonada por diversos grupos ao argumento equivocado de que seria mais “seguro” e “elevado” ater-se a manifestações espontâneas.
Kardec refuta essa ideia com clareza, demonstrando que a evocação feita com consciência e racionalidade é um instrumento legítimo e indispensável de controle, de elevação e de aprofundamento do intercâmbio espiritual. A ausência dessa prática nas reuniões de formação mediúnica empobrece o conteúdo das comunicações e abre espaço para fontes duvidosas, muitas vezes desprovidas de conteúdo moral ou filosófico edificante.
Diante desse cenário, é fundamental que os grupos de formação mediúnica assumam a responsabilidade de instruir os médiuns iniciantes segundo os princípios estabelecidos por Kardec, especialmente quanto à importância das evocações conscientes e das relações com os bons Espíritos. Desde os primeiros passos, o médium deve ser encorajado a estabelecer comunicações regulares com seus Espíritos familiares e, sobretudo, com seu guia espiritual como ápice de sua formação para contribuir com os trabalhos do grupo.
O guia espiritual é um colaborador essencial e insubstituível para que o médium desenvolva sua faculdade com segurança, discernimento e utilidade moral. Conforme ensina Kardec na “Revue Spirite”, os médiuns que mantêm relação contínua com seus guias espirituais podem consultá-los com segurança sobre a conveniência de tentar comunicações com outros Espíritos, recebendo conselhos prudentes e proteção contra mistificações. O guia do médium exerce o papel valioso de comunicador intermediário com Espíritos que, sem isso, não teriam como se manifestar. Essa prática, longe de ser um detalhe secundário, constitui um dos pilares da mediunidade séria e esclarecida, e sua ausência compromete a qualidade e a finalidade superior das reuniões mediúnicas.
Sem acesso a conteúdo sólido, os médiuns e dirigentes acabam por repetir fórmulas vazias, desconectadas da proposta original da Doutrina Espírita, que é a de iluminar a razão, o autoconhecimento e promover o progresso moral da humanidade.
Conclusão
É urgente que os grupos espíritas retomem o estudo sistemático das obras fundamentais da Doutrina Espírita, especialmente de “O Livro dos Médiuns”. A formação mediúnica deve ser conduzida com seriedade, método e respeito à ciência espiritual. As evocações conscientes, o reconhecimento dos guias espirituais, o estudo das influências e a vigilância moral devem voltar a ocupar o centro das reuniões mediúnicas.
O Espiritismo prático não pode se reduzir a fenômenos desconexos ou a mensagens genéricas. Ele deve ser, como propôs Kardec, um campo de experimentação lúcida, de educação espiritual e de construção moral.
Fontes:
Kardec, A. (1998). “O livro dos Médiuns”. Trad. J. Herculano Pires. 20. Ed. São Paulo: LAKE.
Kardec, A. (1964). “Revue Spirite”. Trad. Julio Abreu Filho. Superv. J. Herculano Pires. São Paulo: Edicel.
Imagem Pixabay KLAU2018

Dezembro de 2025

ACESSE: Harmonia – Dezembro 2025

![Mediunidade Decolonial: por uma mediunidade autônoma e crítica, por Lindemberg Castro, Heloísa Canali, Fábio Diório, Ruth Barros, Raimundo Filho e Eduardo Silveira [1] horse-2372709_1280](https://www.comkardec.net.br/wp-content/uploads/2025/04/horse-2372709_1280.jpg)



Ótimo. devemos renovar, incentivar os estudos. algumas casas tem o estudo da série André Luiz, sendo um livro por ano.
o Estudo Sistematizado ,ainda encontra muita resistência
Muito bom! Embora o cenário atual pareça pouco promissor, mantenho a esperança e o compromisso de que sua reflexão inspire dirigentes e trabalhadores a resgatar, na prática mediúnica, o rigor, a ética e a finalidade moral que Allan Kardec tão claramente delineou.