Editorial ECK
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Urge que os espíritas utilizem tanto a sequência dos três nomes próprios quanto a grafia exata do sobrenome de Kardec.
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A redescoberta de Kardec
Nos últimos anos – e com o favorecimento da difusão pelos meios cibernéticos – muitos voltaram a falar de Kardec. Parece que o velho mestre francês, o Professor responsável pela “invenção” do Espiritismo – enquanto uma Filosofia com bases científicas e consequências ético-morais, jamais uma religião ou seita –, em conjunto com o que ele denominou de “Inteligências Invisíveis” (nada mais do que os mesmos humanos, fora da carne, isto é, desencarnados, com as mesmas condições intelectuais e moralidade de sua conhecida vida física), foi (re)descoberto pelos espíritas.
Não é à toa que o maior escritor e filósofo espírita brasileiro, outro Professor, de nome José Herculano Pires, utilizou a expressão “o grande desconhecido”, como subtítulo de um de seus livros – “Curso Dinâmico de Espiritismo”, de 1979, pouco antes de desencarnar –, para adjetivar o Espiritismo. Dizia, o filósofo de Avaré:
“Todos falam de Espiritismo, bem ou mal. Mas ninguém o conhece. Geralmente o consideram como uma seita religiosa comum carregada de superstições”.
A diagnose de Herculano para os que se posicionam diante do Espiritismo é, aliás, não apenas a visão “de fora”, ou seja, dos não-espíritas, grande parte até simpatizantes da Doutrina dos Espíritos (dos quais, outros mais, chegam a comparecer em centros espíritas, assistir palestras e tomar passes), mas a interpretação que muitos espíritas fazem das atividades espíritas e da própria doutrina – que, na imensa maioria das instituições se configura, mesmo, como um templo religioso ou igreja.
Nós, entretanto, aqui no ECK, vamos estender um pouco a construção lítero-teórica de Herculano, do Espiritismo para o próprio Kardec. Sim, Kardec continua sendo um ilustre desconhecido dos espíritas em geral (e de todos os demais), porque nunca souberam nem procuraram saber qual o papel efetivo daquele homem no “processo do Espiritismo”, assim como “cultuam” fábulas e histórias míticas a seu respeito. E isto envolve, também, cogitações acerca de suas encarnações anteriores ou, mesmo, a posterior, que insistem em indevidamente atribuir a uma personalidade espírita brasileira. Não, Kardec não “voltou”, não reencarnou após a sua existência na França (1804-1857). Não, ainda…
O resgate da essência de Kardec ante as adulterações
Entretanto, há pesquisadores e estudiosos sérios e dedicados, que têm, também neste tempo “cibernético”, produzido conteúdo relevante para desmistificar o citado Professor francês, tanto no sentido de sua existência, carreira profissional, atuação como líder do nascente movimento espírita, sua vinculação a movimentos científicos, filosóficos e sociais, assim como em relação à produção de suas obras. Muito material importante tem sido produzido, contribuindo para a humanização do personagem e a superação do “mito” fantasioso de alguém inexistente ou propositadamente construído para alimentar ideologias ou ideias personalistas.
Em paralelo, infelizmente, há também os que mantém seus posicionamentos pessoais para construir um personagem muito diferente do homem real e, assim como ocorreu na própria trajetória de Kardec e do movimento espírita francês, têm dado azo a ideias alienígenas, de parcialidade religiosa e dogmática, interpolando-as com princípios e fundamentos espiritistas. A desnaturação, seja de Kardec, seja da própria doutrina, foi, aliás, severamente denunciada por Herculano Pires, em alguns episódios de nossa história espírita. Herculano, por isso, ganhou a alcunha de “Síndico do Espiritismo”, justamente no sentido de sua atuação em proteção à fidelidade doutrinária e ao pensamento originário de Kardec.
O ECK tem sido protagonista no Brasil na defesa do Legado de Kardec, inclusive divulgando as ideias originais e resgatando, seja o próprio Professor seja suas obras, afastando-o das adulterações e das tergiversações que representam tanto a oposição às ideias genuinamente espíritas quanto o desrespeito à historicidade, à autenticidade literária e documental e às normas jurídicas vigentes na França – que permanecem lá e em todo o mundo, no que tange ao Direito Autoral das obras. É essencial continuar falando sobre isso, porque algumas habilidades na escrita ou a proposital confusão no excesso de dados/informações têm resultado numa “crença” de que atos/fatos ilegais e posteriores à morte de Kardec, perpetrados por terceiros de má-fé, são verdadeiros e lícitos, o que não é verdade. E os prejuízos, inclusive, para o “corpo de doutrina” têm sido muito grandes. É impossível, pois, compactuar com o erro!
Há um ponto que precisa ser destacado neste artigo e que parece ser secundário mas não é. Afinal de contas, para conhecer Kardec de verdade é preciso não permitir falsidades nem incorreções. E, quando elas aparecem, o cabível e imprescindível é esclarecer, corrigindo. É o que fazemos nesta oportunidade.
O nome de batismo
Qualquer espírita já ouviu/leu o nome de Kardec, pré-Kardec. Ou seja, o nome civil, ou de batismo, do Professor Rivail (este o seu sobrenome, como se sabe), antes de assumir o pseudônimo de Allan Kardec. O que muitos não sabem é que são cometidos ERROS VÁRIOS na escrita, na transcrição do nome. E, também, em eventos orais, como palestras, conferências e outros, também são pronunciados equivocadamente.
Para resolver este problema, pesquisadores foram até Lyon e Paris e resgataram os documentos originais do nosso personagem. O resultado está na imagem abaixo:
E, para facilitar o tópico principal deste artigo, que é a correta grafia do nome de batismo de Rivail, destacamos:
Vê-se, claramente, que a identificação civil (nome de batismo, oficial) de Kardec é: Denisard Hypolite Leon Rivail. Assim é. Assim deve ser. Urge que os espíritas utilizem tanto a sequência dos três nomes próprios quanto a grafia exata, já que o sobrenome não possui qualquer dúvida e é comumente conhecido, de forma correta.
Conclusão
Em todos os artigos e textos, assim como outras referências, temos no ECK adotado essa correção, colaborando para manter a integridade do homem e sua obra e convidamos a você a fazer o mesmo. O Espiritismo agradece. E Rivail-Kardec, também! E, como resultado, deixaremos de consagrar a máxima herculanista, de que Kardec seria ainda um desconhecido!