Chico é Kardec reencarnado? Presunções delicadas – talvez perigosas!, por Rita Foelker

Tempo de leitura: 2 minutos

Rita Foelker

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Se Chico é a versão atual de Kardec, isso pode ser interpretado como se a obra anterior estivesse ultrapassada ou houvesse sido revista, atualizada, e que, portanto, o que Chico escreveu nos dispensa de ler Kardec. Ou o declínio do interesse pelo estudo de Kardec, para ler Emmanuel e André Luiz, nos afasta da proposta original de uma Filosofia e Ciência Espíritas.

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Creio que jamais mencionei por escrito minha opinião, nesse debate sobre Chico Xavier ser ou não ser Kardec reencarnado. Minha opinião nesse assunto obviamente tem uma importância relativa, logo, não pretendo convencer, nem converter quem quer que seja ao meu ponto de vista.

Li todo Kardec entre a adolescência e a juventude. Estudei Kardec em casas e grupos espíritas durante décadas e ainda me considero aprendiz. Penso ser capaz, não de compreender plenamente, porém de perceber o tipo de raciocínios e redação aplicados por Kardec na produção dos textos básicos, bem como seu modo de dialogar com os Espíritos e de avaliar as comunicações mediúnicas.

Mas o fato é que jamais considerei, sequer concebível, a menor possibilidade de Chico e Kardec serem duas encarnações de um mesmo Espírito. Chico é um médium com uma obra de incontestável valor, que veio preparado para desempenhar uma tarefa relacionada à mediunidade. Kardec, por seu turno, produziu uma obra autoral, com suas pesquisas incansáveis e sua experiência científico-pedagógica. Seu contato com os Espíritos ocorreu por meio de inúmeros diálogos onde, principalmente, era ele quem inquiria os Espíritos e estes lhe respondiam.

O próprio Chico declarou textualmente não ser Kardec reencarnado e não aceitava essa possibilidade. O livro “Chico Xavier, setenta anos de mediunidade”, de Carlos A. Bacelli, reproduz textualmente uma entrevista de Chico ao jornal “Diário da Manhã”, de Goiânia, edição do dia 28/08/1998, onde Chico afirma peremptoriamente: “Não, não sou… Não sou!”

Não vou mais adiante com esse tópico porque desejo me concentrar noutra questão. É que o fato de pensarmos que Chico foi Kardec gera presunções delicadas – talvez perigosas. Vamos a elas:

1) A presunção de que Chico superou Kardec. Afinal, se Chico é a versão atual de Kardec, isso pode ser interpretado como se a obra anterior estivesse ultrapassada ou houvesse sido revista, atualizada, e que, portanto, o que Chico escreveu nos dispensa de ler Kardec. Ledo engano! Esta tem sido a fonte constante de erros e desvios de interpretação, que conduzem a entendimentos e ações equivocadas.

2)  O declínio do interesse pelo estudo da Codificação, enquanto se lê Emmanuel e André Luiz, o que certamente nos afasta da proposta original de uma Filosofia e Ciência Espíritas, dirigindo o foco para o chamado “aspecto moral/religioso”. Ocorre porém que, segundo Kardec, a fé necessita de uma base e que essa base é feita de razão, da compreensão profunda daquilo em que se deve crer, incluindo lógica e bom senso.

A obra mediúnica de Chico é relevante e precisa ser conhecida. Mas isso não dos dispensa da tarefa de estudar Kardec, não só pelo que ele escreveu, mas pelo seu estilo de raciocinar, dialogar e debater pontos cruciais da filosofia espírita.

Imagem de Dee por Pixabay

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Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

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