Diversidade não justifica desigualdade, por Alexandre Júnior

Tempo de leitura: 2 minutos

Por Alexandre Júnior

O que Kardec acharia da validação das injustiças enquanto se espera, passivamente, por um mundo de regeneração que se daria quase que por osmose?

A justiça não se estabelece por si só. É necessário que a façamos. Quando nos negamos a combater, debater, encarar, perceber e estudar as desigualdades sociais, menos estaremos aptos a produzir, de forma consciente e politicamente, ações de enfrentamento às injustiças, bem como posturas afirmativas de produção de igualdade e justiça social.

Em que pese a insistência nefasta de toda uma estrutura social hegemônica, que, de forma opressora, transforma diversidade em desigualdade.

Esta ação estruturalmente organizada, produzida a partir de uma escolha política, busca não só justificar racismo, LGBTQIAPN+fobia, sexismo, xenofobia, machismo, etarismo e capacitismo, mas procura, fundamentalmente, validação para a violência, seja ela simbólica ou física, esforçando-se, de forma organizada, em busca da naturalização de todas estas opressões.

Importante salientar que o Espiritismo brasileiro tradicional, ao negar-se a combater opressões, violências, desigualdades e injustiças sociais, bem como ao recusar dialogar com as Ciências Humanas, perde a possibilidade de, de maneira pedagógica e sistemática, permutar saberes, sem que nem o Espiritismo nem as Ciências Humanas se descaracterizem. O processo é pedagógico, fomentado a partir de trocas e partilhas. De forma epistemologicamente honesta, é oferecer o que o Espiritismo tem de melhor e sorver o que há de melhor nos Estudos das Humanidades e nos Movimentos Sociais.

De que forma vamos conseguir fazer isso?

Quais as consequências destas ações?

O resultado, realmente, não sabemos!

Contudo, sabemos o efeito de não produzirmos esse debate, este encontro: o dogmatismo.

O esvaziamento da razão.

O religiosismo cego.

Estes efeitos juntos levam à formação de uma multidão que, em algum grau, não vê o mundo criticamente.

Talvez, e só talvez, esta seja a verdadeira “regeneração” que promove ações afirmativas por um mundo mais justo e mais igual.

O que Kardec acharia da validação das injustiças enquanto se espera, passivamente, por um mundo de regeneração que se daria quase que por osmose?

Publicado originalmente no magazine Imprensados, setembro de 2026, disponível em https://drive.google.com/file/d/1-QIgc9eF7nES7eAnrJIGSq8d7bMlC9QL/view

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

 

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Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

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