Nelson Santos e Marcelo Henrique
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A estupidez, posto que é a manifestação mais evidente da imperfeição do Espírito, uma vez ela é imune a argumentos lógicos, considerada um desvio da higidez, porque leva o ser humano a agir e pensar de forma irracional, como os animais inferiores (ou grande parte deles). Ela se alia à maldade, quando se tenta justificar o morticínio (seja o das periferias das médias e grandes cidades, seja o de conflitos e guerras) como um resgate coletivo vinculado a pretéritas dívidas (e inafastáveis resgates).
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“Quem sabe o mal que se esconde no coração humano?”. A frase retirada da chamada de uma história em quadrinhos dos anos 30 do século passado, “The Shadow” [1], desperta uma reflexão junguiana [2], remetendo-nos ao lado sombra, aquela parte do inconsciente no qual o ser humano não se reconhece plenamente. A tendência é que o indivíduo esconda, rejeite ou mantenha esse lado fora da consciência (nivel consciente). Esta situação nos remete, como um exercício, à filosofia espiritista.
Estamos vivendo tempos sombrios: a iniquidade assolapa esse planeta azul, a que chamamos Terra; a estupidez e a maldade humana sobrepõem-se ao bem comum, passando a reger os rumos da sociedade e os de seus governantes, gerando-nos a morte: mortos fuzilados, degolados, chacinados, esquartejados, genocidados [3]. Uma tétrica realidade ocorrida em várias partes do mundo, no passado, mas, também, no presente, tendo como exemplos: Alemanha e Polônia (holocausto judeu); Armênia, Camboja, Ruanda, Indonésia, Angola, Bósnia, Curdistão, Sudão, Chechênia, Mianmar, Nigéria, Ucrânia, Gaza, e Irã. Mortes, mortes e mais mortes…
Há de perguntarmo-nos: onde está a qualidade que faz do ser humano uma das mais perfeitas criações ― a humanidade? Em que escaninho está, ela, oculta, esquecida ou ignorada? No mundo que é regido, espiritualmente pelas Leis Naturais [4], a de Justiça, Amor e Caridade é, pois, imprescindível, pois ela resume todas as outras, olhamos, atônitos e estarrecidos, o desaparecimento do traço de virtude que nos adjetiva. E, diante de tais atos e fatos, abjetos, forçoso nos é repisar os ensinos dos Espíritos (Kardec, 2004:228, nossos os grifos):
“Essa divisão da lei de Deus em dez partes é a de Moisés e pode abranger todas as circunstâncias da vida, o que é essencial. Podes segui-la, sem que ela tenha entretanto nada de absoluto, como não o tem os demais sistemas de classificação, que sempre dependem do ponto de vista sob o qual se considera um assunto. A última lei é a mais importante; é por ela que o homem pode avançar mais na vida espiritual, porque ela resume todas as outras”.
Se a maldade é uma consequência do estágio progressivo do Espírito, fruto do egoísmo, orgulho e ignorância (Kardec, 2004). Bonhoeffer (1943) considera que a ignorância (e o seu tipo particular, a estupidez) seria o elemento mais perigoso, em face da incapacidade do indivíduo em discernir entre o bem e o mal, o correto e o incorreto, o valor social e o prejuízo social. Podemos associar essa interpretação do filósofo e teólogo polonês, Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) [5], aos elementos constituintes da Terceira Ordem (“Espíritos Imperfeitos”), da Escala Espírita, porquanto Kardec, ao defini-la, estabeleceu alguns caracteres importantes para a ignorância: a) o indivíduo não fazer o bem revela a sua inferioridade; b) o Espírito expressa ideias pouco elevadas e sentimentos (mais ou menos) abjetos; c) possui, a individualidade espiritual, conhecimentos limitados sobre as coisas do mundo espírita; e, d) tem, o indivíduo, fixação em ideias e preconceitos da vida mundana.
Voltando à Escala Espírita como um todo, devemos lembrar que, na delimitação das ordens e das classes [6], são permitidas múltiplas variações da progressividade dos Espíritos, com diferenças bem tênues entre as várias classes. Como corolário da delimitação nos níveis de progresso espiritual, Kardec elaborou uma escala onde considerou os diferentes patamares da predominância da matéria sobre o Espírito. Neste diapasão admite três categorias (ordens) principais: Espíritos Imperfeitos, Espíritos Bons e Espíritos Puros, dividindo-as em classes.
Em tais classes, figura a dos Espíritos Impuros ― inclusos na ordem dos Espíritos Imperfeitos ― como a décima e mais inicial. Nela, acha-se inclusa a estupidez, posto que é a manifestação mais evidente da imperfeição do Espírito (Kardec, 2004), uma vez ela é imune a argumentos lógicos, considerada um desvio da higidez, porque leva o ser humano a agir e pensar de forma irracional, como os animais inferiores (ou grande parte deles). Assim, o livre-arbítrio é apenas um detalhe ― porque, com a liberdade de agir, embora condicionada ao estágio de progresso do ser, tanto no mundo físico quanto no espiritual, a vida é, por grande parte deles, considerada um artigo descartável.
O meio espírita encontra-se, generalizadamente, tomado de uma imensurável cegueira, uma incômoda mudez, e uma deficiência auditiva, associadas à precária cognição. Por quê? Pois, comumente, se adota a defesa “cínica” da vida, posto que centrada, principalmente, em questões genéricas relativas ao aborto e à eutanásia, que os indivíduos ditos espíritas combatem com todas as forças e em todas as circunstâncias, sem espaço para as excludentes de culpabilidade [7] ou as exceções em relação às regras que eles mesmo estabelecem [8]. mas não lança um tímido olhar ao que acontece com a civilidade ou a ausência dessa.
Neste sentido, não se percebe a mesma ênfase e interesse visíveis nos debates acerca de determinados temas (aborto, eutanásia, pena de morte), quando se enfoca a pobreza extrema e a atuação em relação a pessoas marginalizadas. Em outras palavras, tem-se um destacado contingente de espíritas que se arvoram em juízes alheios, na defesa de uma vida intrauterina (mesmo que se trate, por exemplo, de uma vítima de aborto, que engravidou, ou de uma má formação fetal, ou, ainda, em manifestações de extremismo, que impõem a mantença de uma gravidez de risco, em que a medicina aponta para os riscos para a gestante, com o prosseguimento da gestação), mas dão de ombros em relação a pessoas que passam fome ou se veem privadas das mínimas e satisfatórias condições existenciais. Dois pesos e duas medidas?
A vida que se tenciona defender é sempre a mesma! Tanto a de um indivíduo em condição intrauterina (nascituro), quanto a de um doente terminal, assim como a de um delinquente e uma pessoa em abandono material, seja pela drogadição e a condição de morador de rua, ou, ainda, pela existência em condições sub-humanas.
Esta hipocrisia é destacada por Santos (2026):
“No meio Espírita, há aqueles que se revestem de boas intenções, mas, verdadeiramente, vivem do orgulho e do egoísmo, imersos em vaidades e personalismos. Mentem sobre si mesmos, não praticando o que apregoam, julgam-se mestres e, nessa maestria, levam o engodo e a visão luminosa que ofusca e impede de ver a verdade, de vez que apregoam, em realidade, uma verdade dogmática, que não pode ser contestada”.
Ainda no escopo da estranha seletividade que acomete muitos espíritas no exame das pungentes e agudas questões da atualidade planetária, encontramos, nos “sacros” púlpitos das instituições espiritas aqueles que comumente se furtam a expor a ignomínia que abarca a sociedade, responsável pela imposição, incondicionalmente, da morte como fator depurativo e resolutivo. São os que tratam o morticínio (seja o das periferias das médias e grandes cidades, seja o de conflitos e guerras) como um resgate coletivo vinculado a pretéritas dívidas (e inafastáveis resgates).
Talvez pensem – e reforcem esta bisonha construção “intelectual” – que, como é “resgate”, construindo uma interpretação canhestra e desarrazoada do conceito espiritual de expiação, devemos “deixar” cada um com as suas “oportunidades” de “redenção”, não devendo influir por meio da ação curativa, minimizadora dos prejuízos e assistencial. Que falta de noção espiritual-espírita e de entendimento dos elementos contidos na Filosofia Espírita, para a ação humano-social!
Aí figura, então, a maldade no coração (Espírito) humano. Porque quando se distancia da solidariedade e da fraternidade – para não falarmos, também, da caridade que é o “cânone” de dez entre dez espíritas, quando adjetivam o Espiritismo, usando um bordão que foi elevado à categoria primacial por Kardec: “Fora da Caridade não há Salvação” [9]. Ora, se o indivíduo predefine “quem” deve ou não ser o destinatário da ação solidária, fraterna e caritativa, e, por conseguinte, afasta certas pessoas em condições que ele avalia (julga?) como não meritórias da assistência (delinquentes, drogados, alcóolatras, violentos, etc.), há um destacado componente de maldade implícito, ainda, na condição espiritual do ser (Espírito).
E, para aqueles que “apreciam” ter Jesus como único “modelo” e “guia”, numa rasa e limitada interpretação do contido na resposta ao Item 625, de “O livro dos Espíritos”, vale repisar o conteúdo de uma de suas mais importantes prédicas, a que efetivamente nos dá a exata e completa dimensão do sentido de irmandade espiritual entre todos os Espíritos (sem exceção):
“Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes me ver” (Almeida, 2026) [10].
Portanto, não só o abandono material e moral dos mais necessitados, mas, também, a noção íntima de que não se deva agir em relação à minoração das necessidades de outrem revela, não a magnanimidade e os princípios de solidariedade e tolerância insertos na Filosofia Espírita, mas, do contrário, um olhar cruel, desumano e espiritualmente inconsequente, tão distante do pensamento kardeciano, que é equidistante aos ensinos de Yeshua (Jesus).
Por isso, vale destacar, do compêndio kardequiano a derradeira mensagem que remete à compreensão antropomórfica possível das virtudes de D’us, assinada por Agostinho de Hipona, no item 1009 da obra primeira (Kardec, 2004), onde o Preclaro Mensageiro salienta que a justiça, o amor e a caridade são antagônicas à ignorância, ao ódio e à injustiça [11].
Kardec tem, em destaque, a progressividade como legítimo eco do pensamento iluminista e, por si mesmo, revolucionário, posto que nos convoca à constante renovação das possibilidades. Neste sentido, esta predisposição derivada das experiências vivenciadas e do aprendizado decorrente da racionalidade, nos exige mudanças de rumo, correções nos pensamentos, nas palavras e nas atitudes, de acordo com os novos dados experimentados, em nada se conformando, portanto, com a estagnação preconizada ante a realidade avassaladora e mortal que assola o mundo, como destaca Henrique (2022):
“Da cátedra espírita resulta a noção de que não será à custa de vidas humanas que se conseguirá o estágio de paz social. A chamada ética espírita, fundada nos ideais de liberdade, fraternidade e solidariedade, oferece importantes elementos na contribuição aos debates mundiais sobre guerra e paz” [12].
Ser espírita, portanto, é um grande desafio, porque no cotidiano de todas as situações que se nos apresentam, sejam aquelas próximas que podem desencadear ações possíveis, de nossa parte, sejam as distantes, que estejam sob nossa análise lógico-racional, é-nos exigida a coerência entre a convicção e o desempenho, entre a cátedra e a vivência, entre a prédica e a atitude [13].
A transitoriedade espiritual que nos é característica, como seres em permanente e inafastável progresso, não nos furta ao combate da maldade e da estupidez humanas e de suas nefastas consequências. Porque a postura da inércia seria uma conduta que importaria não respeitar os fundamentos espirituais contidos na Filosofia Espírita.
Notas dos Autores:
[1] Criação de Walter B. Gibson (1897-1985), escritor e mágico americano, na década de 1930, como um personagem de ficção popular, o gibi evoluiu para o cinema e para o rádio. Nos Estados Unidos, era Orson Welles quem interpretava o Sombra e, no Brasil, a tarefa coube a Saint-Clair Lopes (Teles, 2024).
[2] O adjetivo “junguiano” se refere ao psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da Psicologia Analítica, Carl Gustav Jung (1875-1961), muito influente não só no campo da Psiquiatria, como na Psicologia, Filosofia, Ciência da Religião e Literatura. A Psicologia Analítica (ou Junguiana) consiste em uma abordagem terapêutica voltada ao autoconhecimento e ao equilíbrio, por meio da integração consciente dos conteúdos egressos do inconsciente pessoal e coletivo. Está focado na individuação, processo no qual o ser deve se tornar quem você é, podendo ser explorados símbolos, sonhos e o próprio inconsciente para o crescimento pessoal.
[3] A palavra “genocidados” é um neologismo. Sua construção corresponde ao particípio passado do verbo “genocidar”, o qual, por sua vez, também é um neologismo, porque deriva do substantivo “genocídio”. O termo ainda não costuma constar de dicionários formais da língua portuguesa, mas o seu uso tem sido popularizado sobretudo em trabalhos e contextos acadêmicos, assim como políticos e jornalísticos, para representar um ou mais indivíduos (o conjunto desses, como um povo) que teria sido alvo de ações genocidas.
[4] Allan Kardec, pedagogicamente, cunhou o conjunto das Leis Naturais (ou Divinas), também conhecidas como “Leis Morais”, na terceira parte de sua primeira obra, “O livro dos Espíritos”.
[5] O pensador polonês foi membro da resistência alemã antinazista, tendo fundado a Igreja Confessante, uma ala da igreja evangélica contrária a Adolf Hitler (). Sua atuação se baseou na prática de uma fé cristã, vivenciada de forma responsável mas radical, no mundo, para romper a barreira entre teoria e prática, no que exigia de seus fiéis a ação concreta contra a injustiça, mesmo que isso lhes custasse a vida (a “graça cara”).
[6] O naturalista sueco Carl von Linné, ou Carlos Lineu (1707-1778) desenvolveu o sistema de classificação hierárquica de gêneros e espécies, padronizando em sua obra “Systema Naturae”, de 1735, a identificação de todos os seres vivos. Kardec, homem de ciência, antenado e visionário, incorporou alguns conceitos linneanos nas teses espíritas a sua proposta, enunciativa, mas não definitiva ou ortodoxa, dos Espíritos.
[7] Entende-se o termo “excludentes de culpabilidade”, como derivação do Direito Penal (Criminal), conceituadas como as possibilidades contidas na lei para a descaracterização de um delito (crime), posto que baseadas em circunstâncias especiais que isentam ou excluem a culpa e, por extensão, a sanção que lhes seria imposta pelo Poder Judiciário. Um exemplo típico é quando, para se defender de uma agressão injusta, em relação a si ou a terceiro, alguém reage fisicamente, para evitar um mal maior (legítima defesa).
[8] A argumentação comum e totalmente equivocada é a de que a vida seria um “dom de Deus”, cabendo somente a ele tirá-la. O equívoco está na ideia de que os humanos fossem obrigados a obedecer “ordens divinas” e não pudessem, com a liberdade de consciência e de ação (livre arbítrio) decidirem se mantêm ou não a vida.
[9] A máxima “Fora da Caridade não há Salvação” é apresentada como título do Capítulo XV, de “O evangelho segundo o Espiritismo”, no que Kardec (2003:200) sentencia: “Não se podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se encontram resumidos” na máxima acima.
[10] O texto figura no evangelho de Mateus (25: 31-46) e é reproduzido no Item 1, do Capítulo XV, de “O evangelho segundo o Espiritismo”. E, quando Jesus teria dito isto, ele reafirma a condição de isonomia e equidade entre todos os Espíritos e, como consequência e corolário, o dever de caridade.
[11] Agostinho pontua “o amor, a caridade, a misericórdia, [e] o esquecimento das ofensas” como constituintes do “plano das primeiras virtudes”, rechaçando o sofrimento, a tortura sem fim e sem esperança correlacionado às faltas do Espírito. Daí a contradição de muitos “crentes” (entre os quais, os espíritas) que entabulam teses e argumentações onde figuram presentes, lado a lado, a bondade infinita e a vingança infinita. Por isso, ele sentencia: “a justiça não exclui a bondade”, porque ambas, unidas é que propiciam que as penas impostas aos humanos dure apenas o tempo suficiente para que o culpado possa agir no sentido do seu próprio melhoramento (Kardec: 2004:330-331, destacamos).
[12] Marcelo Henrique transcreve, ainda, texto atribuído a Kardec, contido em “Obras Póstumas”: “A fraternidade, na rigorosa acepção da palavra, resume todos os deveres do homem para com os semelhantes. Significa: devotamento, abnegação, tolerância, indulgência; é a caridade evangélica por excelência e a aplicação da máxima: fazer aos outros o que queremos que os outros nos façam” (Kardec, 1979:194).
[13] É o mesmo Agostinho que, um pouco antes (item 919, “a” de “O livro dos Espíritos”), assevera isso, quando nos sugere o exame consciencial diário de nossas atitudes (boas ou más), no compromisso diuturno de transformação a partir da revisão dos próprios atos: “Que aquele que tem a verdadeira vontade de se melhorar explore, portanto, a sua consciência, a fim de arrancar dali as más tendências como arranca as ervas daninhas do seu jardim” (Kardec, 2004:304, negritamos).
Fontes:
Almeida, J. F. A. (2026). “Bíblia Online”. Almeida Corrigida e Fiel. Disponível em: <LINK>. Acesso em 11. Mar. 2026.
Bonhoeffer, D. (1943). “Da estupidez”. São Leopoldo: Unisinos. Disponível em: <LINK>. Acesso em 11. Mar. 2026.
Henrique, M. (2022). Como o Espiritismo interpreta as guerras?. “Espiritismo COM Kardec”. 9. Mai. 2022. Disponível em: <LINK>. Acesso em 11. Mar. 2026.
Kardec, A. (1979). “Obras Póstumas”. Trad. Sylvia Mele Pereira da Silva. Introdução e notas J. Herculano Pires. 2. Ed. São Paulo: LAKE.
Kardec, A. (2003). “O evangelho segundo o Espiritismo”. Trad. J. Herculano Pires. 59. Ed. São Paulo: LAKE.
Kardec, A. (2004). “O livro dos Espíritos“. Trad. José Herculano Pires. São Paulo: LAKE. 2014.
Santos, N. (2026). Mais um ensaio sobre a cegueira. “Espiritismo COM Kardec”. 10. Mar. 2026. Disponível em: <LINK>. Acesso em 11. Mar. 2026.
Teles, J. (2024). O Sombra sabia do mal que há no coração dos humanos. “TelesToques”. 30. Abr. 2024. Disponível em: <LINK>. Acesso em 11. Mar. 2026.
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